A indústria brasileira vem sofrendo seguidas quedas, tanto na produção quanto nos postos de trabalho, pelo menos nos últimos três anos. A falta de uma política clara para o setor, que vive na expectativa de que fatores sazonais sejam capazes de reverter o quadro, é um dos motivos. Contribui ainda não apenas a queda nas exportações, mas também a retração do mercado interno, que sofre com a concorrência predatória dos fabricantes de países orientais, como a China — um dos maiores parceiros do Brasil em termos de comércio exterior, grande compradora de comoditties, mas cujas vendas de produtos a baixo custo prejudicam o similar fabricado aqui. Por causa de sua política trabalhista, até produtos eletroeletrônicos chegam ao nosso País com preços muito baixos, mesmo com taxas de importação maiores.
Enquanto o setor de serviços continua registrando altas no emprego e no faturamento, o mesmo não pode se dizer do setor produtivo, com a indústria encabeçando os índices negativos: completou em março três anos e meio de demissões. Hoje, o segmento emprega o menor contingente de trabalhadores em toda a série histórica da pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em dezembro de 2000. Em alguns setores, as dispensas de trabalhadores são realidade há mais tempo. O segmento de vestuário está há quase cinco anos diminuindo o quadro de funcionários, enquanto têxtil, calçados e couro se aproximam dos quatro anos no vermelho.
O quadro geral da indústria é mais desfavorável até do que durante a crise de 2008/2009, quando a queda brusca na produção havia deixado os trabalhadores na indústria na pior situação até então. Em março, a produção acumulou a 13ª queda seguida em comparação a igual mês do ano anterior, algo inédito na série. De acordo com especialistas, os empresários não vislumbram expectativa de recuperação da produção no curto prazo. O segmento de transporte registra o principal impacto negativo sobre a força de trabalho na indústria. A atividade inclui a fabricação de veículos automotores, que tem amargado retrações intensas na produção diante do crédito mais caro, da desaceleração da demanda, do elevado endividamento das famílias e do desafio dos consumidores em reequilibrar o orçamento doméstico.
O governo pretende apresentar nos próximos dias um novo plano nacional de exportação, uma das últimas esperanças do empresariado brasileiro em reverter um quadro que se estende além do esperado. Com a política de desonerações sendo abandonada pelo governo federal, depois de ter se mostrado ineficiente ao longo do tempo, não há grandes perspectivas de mudança em curto prazo. Sem uma política clara de incentivos, a indústria brasileira vai continuar à mercê de soluções paliativas que não resolvem o problema. Enquanto isso, a classe trabalhadora, que vem sendo sacrificada com as mais recentes medidas de ajuste fiscal do governo, permanece preocupada com a possibilidade de ver as vagas de trabalho se reduzirem ainda mais.
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