Construção civil registra queda de até 30%


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Lúcia Helena Pires, sócia da loja Luana Materiais para Construção, registrou uma queda de até 10% nas vendas neste início de ano
Lúcia Helena Pires, sócia da loja Luana Materiais para Construção, registrou uma queda de até 10% nas vendas neste início de ano
Assim como a economia do país, o setor de construção civil não vive um bom momento. Em Franca, isso não é diferente. Em meio a um ambiente de contenção, as projeções para 2015 são de forte queda. De janeiro a abril, alguns comerciantes registraram uma queda de até 20% no movimento e de 30% nas construções de novos imóveis. Corte de gastos, promoções e menos investimentos foram algumas das opções encontradas para driblar a crise.
 
Para o proprietário da Habitat Imobiliária e Construtora, Antônio Carlos Ribeiro, a recuperação da queda assistida em 2015 levará um ano para acontecer. Ele reduziu gastos em diversas áreas, mas ainda não chegou ao extremo de diminuir o quadro de funcionários. “A empresa existe há 30 anos e nunca vi nada parecido. A queda brusca nas vendas e construção de imóveis foi de quase 30% em relação aos primeiros meses de 2014”, disse. 
 
O presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Franca e Região, Araken Seror Mutran, concorda. “Tanto os clientes quanto os construtores estão mais inseguros na hora de aplicar o capital, por conta da situação da economia no país. A demanda está menor se comparada aos últimos anos”, afirmou. 
 
Pensando em atrair os consumidores, algumas lojas apelaram às promoções. Segundo o gerente da Casa do Construtor, Marcelo de Araújo, os feriados no início do ano contribuíram para a baixa nas vendas. “Tivemos uma queda de até 20% no movimento. Fizemos promoções e estamos implantando vendas internas, mas serão o suficiente apenas para evitar novas quedas. Acho que, assim que a economia nacional melhorar, nosso setor também vai”, destacou Araújo, que trabalha como gerente há quase dez anos e garante nunca ter visto situação parecida no setor. 
 
Baixa
Após um período de crescimento acelerado, motivado pela expansão de renda e crédito e graças a programas de investimento governamentais, o setor de construção civil está sofrendo. Comerciantes e construtores ouvidos pelo Comércio acreditam que o quadro foi agravado pela falta de recursos, aumento nos juros e pela contenção de gastos.
 
De acordo com a Secretaria de Planejamento e Urbanismo de Franca, o ramo da construção civil realmente está com dificuldades. “Em 2014, os alvarás expedidos atingiram a marca dos 1.372. Neste ano, contando o mesmo período, contabilizamos 1.193. É uma queda de 15% no primeiro quadrimestre”, ressaltou o secretário Nicola Rossano.
 
A preocupação com os resultados de 2015 fez com que o gerente de vendas da Hidromar, Tiago Henrique da Silva, repensasse os métodos de vendas. Até abril, os negócios caíram 12% se comparados ao ano passado. “O pouco investimento e as dificuldades do período nos fizeram adotar promoções e novas técnicas de vendas. Isso já ajudou maio, que está sendo melhor que os primeiros meses”, ressaltou o gerente. 
 
“Em 29 anos no ramo, sendo 27 deles como funcionária e dois como proprietária de loja, só presenciei dois outros momentos tão complicados quanto este: a crise no setor imobiliário de 2008 para 2009 e 1990, quando o Plano Collor confiscou a poupança dos brasileiros.” Assim uma das sócias da loja Luana Materiais para Construção, Lúcia Helena Pires, definiu a situação. 
 
Descartando uma melhora imediata no setor, Lúcia também fez promoções para alavancar as vendas, que caíram mais de 10% em 2015. “O poder aquisitivo dos consumidores diminuiu e isso, alinhado à queda de movimento, piorou a situação. Se antes pagavam R$ 100 em um item, agora pagam R$ 50. Está complicado”, disse.
 
Embora em Franca ainda não constem registros expressivos de demissões no ramo da construção civil, o setor é um dos líderes de demissões pelo país. De janeiro a março, 50 mil vagas foram cortadas. Durante todo o ano de 2014, 250 mil vagas foram subtraídas, mas os comerciantes acreditam em uma volta por cima. “Mesmo com esse ‘apagão’, sei que 2016 será melhor”, enfatizou o vendedor da Tubos e Companhia, Edmilson de Jesus.

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