Base do prefeito se une para tentar calar o vereador Márcio do Flórida


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Márcio do Flórida lembrou que a doação por empresas é legal: ‘Tanto é legal, que eu declarei os valores na minha prestação de conta’
Márcio do Flórida lembrou que a doação por empresas é legal: ‘Tanto é legal, que eu declarei os valores na minha prestação de conta’
Um plano arquitetado pela bancada governista na Câmara e mantido em sigilo até a hora da execução, culminou, ontem, na abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) contra o vereador Márcio do Flórida (PT). 
 
Os vereadores aliados ao prefeito querem investigar “denúncia de suposto recebimento de doação” ao petista por parte da UTC Engenharia. A empreiteira é investigada na Operação Lava Jato, acusada de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Márcio afirma que a medida é reflexo de perseguição política por fazer oposição a Alexandre Ferreira (PSDB).
 
O pedido de abertura da CEI deu entrada como sendo de autoria coletiva e recebeu o sim de dez vereadores, todos do bloco de apoio ao prefeito. Apenas o próprio Márcio, Valéria Marson (PSDB), Daniel Radaeli (PMDB) e Nirley de Souza (DEM) não assinaram. O requerimento afirma que o objetivo é investigar denúncia de suposto recebimento de doação por parte da “UCT” e não UTC, como é o nome correto.
 
Os vereadores governistas não estão trazendo nenhuma novidade. Na edição do dia 9 de abril, o Comércio publicou reportagem informando que cópias da prestação de contas feitas por Márcio do Flórida à Justiça Eleitoral haviam sido distribuídas no plenário. Candidato a deputado estadual em 2014, ele recebeu R$ 56 mil da UTC Engenharia. 
 
O petista explicou que os valores doados pela UTC vieram dos candidatos a federal, Adauto Scardoelli e Arlindo Chinaglia, com quem havia feito dobradinha. “Não tem nada de errado. A doação por parte de empresas é legal. Tanto é legal, que eu declarei os valores na minha prestação de contas. Eu que apresentei as informações à Justiça Eleitoral. Não foi ninguém que descobriu.”
 
Márcio do Flórida disse que já esperava alguma ação da bancada governista por ele ter apoiado a greve dos servidores. “O prefeito foi incapaz de negociar e segurou uma greve por 47 dias. Os servidores vieram na Câmara, vaiaram e enterraram os vereadores. Era claro que eles iriam se unir para me dar o troco, mas vão quebrar a cara.”
 
Em um discurso emocionado na tribuna, afirmou que seus colegas vereadores usam dois pesos e duas medidas para pautarem suas atuações na Câmara. “O prefeito, que é réu na Justiça, eles não investigam. Tenho nojo da política que se faz nesta casa.”
 
Jépy Pereira (PSDB), que foi flagrado recentemente afirmando que iria “f...” o petista, disse que, se nada for comprovado, Márcio poderá usar o resultado da CEI como “atestado de idoneidade”. Já Radaeli criticou a postura dos colegas. “Abriu-se um tribunal de exceção muito perigoso. O vereador tem que ter responsabilidade e bom senso naquilo que vai apurar. O Márcio, como vereador, não cometeu ilícito nenhum. As maldades e o jogo baixo nos fazem desanimar da política. Aqui, na Câmara, não podemos ter opinião contrária.”
 
A CEI que investigará o petista é formada por Jépy Pereira, Zezinho Cabeleireiro (PPS) e Pastor Otávio (PTB).

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