A verdade na governança


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No princípio do mês participei do interessante seminário ‘Rumos da Economia — Desafios para o Crescimento’, que se propunha analisar a situação da economia brasileira e discutir possibilidades de mudança de rumo. Dentre os palestrantes estavam ex-ministro da Fazenda da era Sarney, um professor de Economia da Unicamp, dois economistas-chefes de importantes bancos brasileiros e o prefeito da capital.
 
A abordagem dos problemas econômicos nacionais, com mais ou menos ênfase, evidenciou que padecemos, ainda, das condições vividas pela economia internacional após a crise de 2008, com a diminuição do ritmo de crescimento das economias centrais (EUA e China principalmente) e a consequente desaceleração do comércio mundial que resultou na queda do preço das commodities. Também as mazelas que criamos na gestão da coisa pública e no encaminhamento das possíveis soluções foram ressaltadas. Com base em experiência própria, um dos palestrantes levantou a questão da importância da presença da verdade (sempre a verdade!) nos atos de autoridades e líderes empresariais. Lembrei-me, então, que junto com ela, a verdade, devem estar presentes os princípios da governança corporativa, tanto na administração pública — ministérios, secretarias de Estado, conselhos etc. -- como nas empresas privadas ou estatais. 
 
Configuram conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que regem a maneira como um governo é conduzido, uma empresa é administrada ou controlada, o relacionamento entre grupos de interesse e os objetivos perseguidos. Envolve busca da eficiência e eficácia, aderência a códigos de conduta pré-acordados, eliminação de conflitos de interesse e quebras do dever. Na conjuntura brasileira, é de se perguntar: governo e diretores de empresas estatais vêm observando a presença da verdade e obediência a preceitos da boa governança?
 
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP

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