A reeleição do prefeito Alexandre Ferreira para a presidência do diretório municipal do PSDB foi uma clara demonstração da situação que a sigla — principal opositora do governo da presidente Dilma Rousseff e que abriga em seus quadros nomes como o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin — atravessa em nosso município. De um universo superior a 2,5 mil filiados, compareceram para votar na chapa única apenas 167 tucanos, no recinto da Câmara Municipal. Muito pouco para o partido que ocupa a Prefeitura de Franca há três mandatos e que comanda o Estado de São Paulo desde as últimas décadas do século passado.
Contrariando o slogan “PSDB Unido”, o pleito de domingo demonstra que o ninho dos tucanos está cada vez mais disperso e dificilmente será capaz de construir campanhas fortes para a Prefeitura e Câmara de Vereadores no ano que vem. A população francana há muito perdeu completamente a esperança de que Alexandre Ferreira seja capaz de fazer, em pouco mais de um ano e meio, o que não fez até agora. Ele vai precisar tirar um coelho da cartola para enfrentar seus opositores, que partirão com tudo na campanha eleitoral. E não deverão ter muito trabalho justamente por causa da inabilidade política do atual chefe do Executivo francano e de sua postura autocrática. Isto sem citar as investigações sobre irregularidades nas áreas de saúde (indústria das horas extras), de educação (superfaturamento em obras de creches) e de obras (o roubo de materiais).
Para se ter uma ideia da pífia representação que o manteve na condução dos destinos do PSDB na cidade, Alexandre não contou nem com o apoio de seu mentor, o ex-prefeito Sidnei Rocha, que impôs sua presença à frente do diretório municipal antes das eleições de 2012 e depois bancou sua candidatura, conseguindo sua eleição como prefeito. Ele nem passou diante da Câmara para conferir o comparecimento dos tucanos francanos. É uma prova de completo desprestígio do prefeito, que consegue alguma unanimidade quando se trata da rejeição dos eleitores francanos a seu nome. Uma administração desastrada que descamba para o esfacelamento do PSDB em Franca é tudo o que Alexandre Ferreira conseguiu nos últimos anos. Dificilmente ele tem cacife, hoje, para se eleger para qualquer cargo, mesmo que síndico de prédio.
Agora, se os tucanos autênticos e interessados em recuperar a força do partido -- que continua forte em níveis nacional e estadual -- continuarem demonstrando indiferença ao que acontece no diretório municipal, o PSDB poderá se ombrear aos nanicos, tendo muita dificuldade para se manter como a principal força política na cidade, chegando nas eleições do ano que vem bastante enfraquecido, sem força sequer para eleger qualquer candidato ao legislativo francano. Assim como fez o município andar para trás durante o seu mandato, Alexandre Ferreira poderá atirar o seu partido na vala comum dos derrotados, com poucas chances de sair de lá caso os dirigentes estaduais não intervenham em curto espaço de tempo.
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