Era uma manhã de sábado, dia 28 de março, quando servidores públicos se reuniram no Teatro Judas Iscariotes e decidiram entrar em greve por melhores salários. Eles não imaginavam, mas começavam a entrar para a história. Alexandre Ferreira (PSDB), que não acreditava no poder de mobilização e resistência da categoria, ficará marcado como o prefeito que por mais tempo teve que lidar com uma paralisação. Nem mesmo as empresas de calçados, no auge das greves na década de 80, enfrentaram protestos tão longos.
A greve foi decretada no dia 28 de março, e só foi terminar na quarta-feira passada, 13 de maio. Foram 47 dias de paralisação. “Posso garantir, com absoluta certeza, que esta greve foi a mais longa da história de Franca. Os professores chegaram a ficar mais tempo, mas era em nível de Estado. Nenhuma categoria local parou tanto tempo”, afirmou o professor de história Marcial Inácio da Silva.
O ex-prefeito Gilmar Dominici (PT) disse que participou de todas as greves realizadas em Franca nos anos 80. Ele também afirma não ter visto um movimento tão resistente quanto o dos servidores. “Não teve nenhuma greve em órgãos municipais tão longa assim. As dos sapateiros duravam uma semana. Esta é recorde e entrará para a história pela extensão”.
A greve de maior impacto e repercussão já realizada em Franca aconteceu em abril de 1986. Revoltados com as perdas salariais que tiveram por conta do Plano Cruzado, os sapateiros cruzaram os braços e a paralisação atingiu quase todas as fábricas da cidade.
Os grevistas tiveram o apoio de centrais sindicais e do PT. O então presidente nacional do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneguelli, vieram a Franca incentivar o manifesto, fato noticiado pelo Comércio. Estima-se que cerca de dez mil pessoas tenham participado do comício/assembleia. “Essa greve foi a maior de impacto político nacional e de concentração de pessoas, mas foi mais breve”, lembra Dominici. A greve, marcada pela violência, durou 12 dias e chegou ao fim após a intervenção do então prefeito Sidnei Rocha, que costurou um acordo com as partes em seu gabinete.
Balanço
A Prefeitura tem cerca de 4,5 mil servidores. O sindicato diz que pelo menos mil teriam aderido à paralisação. A maior adesão se deu no dia 2 de abril, quando 1,5 mil pessoas participaram de protestos no Centro. “Foi a greve mais pacífica, bonita e inteligente que Franca já viu”, avalia o advogado do Sindicato dos Servidores, Denílson Carvalho. O presidente do Sindicato, Luís Fernando Nascimento, disse que a intransigência do prefeito Alexandre Ferreira em negociar com os servidores foi a razão para que eles cruzassem os braços.
O prefeito não se manifestou a respeito. Neste sábado, a reportagem tentou ouvi-lo sobre a greve e seu desfecho, mas ele não foi localizado nem seu assessor.
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