Apesar dos pés carregados e dos frutos maduros nas lavouras, a produção de café na região de Franca será menor em 2015. Prestes ao início de uma nova colheita, a Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas) estima que a safra desse ano na Alta Mogiana será de apenas 1,1 milhão de sacas. Uma queda de mais de 50% em relação ao resultado alcançado com a safra do ano passado, quando 2,3 milhões de sacas de café foram beneficiadas.
Além de naturalmente ser um ano com produção mais reduzida, em razão da bianualidade, as lavouras terão um recuo ainda maior devido a seca e o clima excessivamente quente dos últimos meses. Ocorrida em grande parte do segundo semestre do ano passado e no começo de 2015, a escassez de chuva atrapalhou a fase de granação do café, período em que necessitam de um bom volume pluviométrico para o desenvolvimento uniforme dos grãos.
Para o superintendente da Cocapec, Ricardo Lima de Andrade, as condições climáticas adversas prejudicaram a plantação e provocaram a quebra de safra. Ele disse que o fruto floresceu, mas não vingou. “A queda será muito acentuada, talvez até mais do que em outras regiões. Aqui, além desses fatores, utilizamos o sistema de podas que também interfere”.
Andrade disse ainda que devido ao ciclo de baixa, tradicionalmente os produtores esperam uma safra inferior em relação a colhida em 2014, porém as reduções que eram previstas tendem a ser superadas. “Todos irão colher menos, é a condição natural. Mas a safra que antes tinha redução de 40% entre um ano e outro, neste está ultrapassando os 50%”.
Perdas
No caso do cafeicultor Maurício Makoto Kondo, de Cristais Paulista, a perda deve superar esse percentual, pois grande parte de suas lavouras sofreu estresse hídrico causado pela estiagem e as altas temperaturas. Em alguns pés, a impressão é que os mesmos estão repletos, mas vistos mais de perto a realidade são de galhos com falhas de grãos. Outros, de lavouras mais novas, estão mais carregados só que precisarão de mais tempo para que os grãos possam madurar.
“Os problemas climáticos afetaram bastante. Na última, colhemos 9 mil sacas. Agora a estimativa é colher somente 3 mil sacas, cerca de 30% da safra passada”, disse Kondo que esperava a redução, mas não conseguia estimar de quanto seria. “O fruto teve crescimento externo, mas não desenvolveu”.
O produtor tem 200 hectares de café e torce para que não haja novas surpresas com o clima durante o período de colheita, que na região começa a partir desta segunda quinzena de maio e início de junho e segue até setembro. “Ainda há riscos, principalmente com a entrada do inverno”.
Estimativa
A previsão de safra da Cocapec é referente a região da Alta Mogiana composta por dez municípios paulistas e mais três mineiros. No total, a área corresponde a 60 mil hectares de café e possui 80% da colheita mecanizada.
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