Pesquisa da Universidade de Swansea e da Universidade de Milão mostrou que jovens que usam a internet por longos períodos podem sofrer sintomas de abstinência semelhante a viciados. Também demonstrou que quem fica online muito tempo relataram humores negativos depois que pararam de navegar. Segundo o professor Phill Reed, o estudo mostra que cerca de metade dos jovens estudados gastam tanto tempo na rede que portarão problemas pelo resto da vida, efeito comparável ao uso de ecstasy. Observou-se, ainda, neles, traços de depressão e autismo.
O estudo, intitulado Differential Psychological Impact of Internet Exposure on Internet Addicts, está no site da PLoS ONE. Participaram sessenta voluntários, 27 homens e 33 mulheres, com idade média de 24 anos. Os testes buscavam avaliar a dependência da internet, humor, ansiedade, depressão, esquizotipia, e traços de autismo. Segundo Reed, vício em internet é uma nova psicopatologia. Causa sequelas na vida do internauta e no seu relacionamento familiar. Em pesquisa anterior ele já tinha observado que estudantes que usam a internet excessivamente têm menos motivação a estudar.
Para o especialista, o crescente uso de suporte digital de aprendizagem nas universidades pode, também, criar problemas, embora reconheça no ensino online, ferramenta poderosa. Ele afirma que o uso da internet acaba sugando os usuários. Estudantes de Engenharia e de Ciências tendem a usar a internet mais que os estudantes de Artes e Ciências Sociais, mas que o efeito motivacional foi semelhante em ambas as categorias.
Pesquisadores têm apontado que a utilização da internet prejudica o funcionamento técnico executivo, ou seja, a capacidade de planejar e resistir a escolhas impulsivas. Estudar requer exatamente esse tipo de habilidade.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
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