O brasileiro se acostumou a cobrar do poder público a resolução de todas as suas mazelas. Em alguns casos, está certo quando exige saúde pública e educação de qualidade, ansiando por melhor qualidade de vida, que passa inclusive pelo saneamento básico que falta em alguns de nossos rincões. Enquanto nós, francanos, estamos na vanguarda do saneamento, ainda não temos, principalmente por causa do poder público, atendimento médico no mínimo satisfatório, o que se repete na educação. Agora, diante da epidemia de dengue que atinge diversos Estados brasileiros, inclusive São Paulo, não nos cabe cruzar os braços e exigir providências: Todos somos responsáveis por combater a proliferação do mosquito aedes aegypti, que transmite o vírus da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 745,9 mil casos de dengue entre 1º de janeiro e 18 de abril deste ano. O total é 234,2% maior em relação ao mesmo período do ano passado e 48,6% menor em comparação com 2013, quando na mesma época foram notificadas 1,4 milhão de ocorrências da doença. A incidência de casos no Brasil para cada grupo de 100 mil habitantes é de 367,8, índice que, para a OMS, é situação de epidemia (a classificação mínima de epidemia é de 300/100 mil habitantes). Levando-se em conta esta informação, sete estados estão em situação epidêmica: Acre (1064,8/100 mil), Tocantins (439,9/100 mil), Rio Grande do Norte (363,6/100 mil), São Paulo (911,9/100 mil), Paraná (362,8/100 mil), Mato Grosso do Sul (462,8/100 mil) e Goiás (968,9/100 mil).
Nas 15 primeiras semanas de 2015, foram confirmadas 229 mortes causadas pela doença, um aumento de 44,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 158. Em comparação com 2013, quando houve 379 óbitos, há uma queda de 39,6%. Das mortes registradas em 2015, 169 foram no Estado de São Paulo: é o maior número no País. Goiás vem em seguida, com 15, além de Paraná e Minas Gerais, com oito cada. Embora as autoridades sanitárias brasileiras continuem trabalhando no sentido de acabar com o mosquito — inclusive já temos uma vacina contra a dengue em fase de teste e mosquitos modificados geneticamente capazes de combater o aedes aegypti —, é necessário que também façamos a nossa parte.
A negligência das autoridades para com o perigo da dengue, principalmente a hemorrágica, é comparável à da população, que se esquece de que simples providências são capazes de impedir o avanço da doença. A larva do mosquito se desenvolve em água limpa e parada e, por isso, evitar que existam reservatórios no interior das casas é de nossa competência. Recipientes como vasos e garrafas, se colocados de boca para baixo, dificilmente acumularão a água onde o inseto coloca seus ovos. Temos que nos manter vigilantes, porque mais do que as autoridades, o combate à dengue no País depende apenas de nós que, na prática, pagamos a conta. Se fizermos a nossa parte, o que não é difícil, com certeza estaremos contribuindo para a redução dos casos.
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