Uma cidade pichada


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Fachada da Casa do Artista Francano, no Centro de Franca, está pichada com letras garrafais
Fachada da Casa do Artista Francano, no Centro de Franca, está pichada com letras garrafais
Casas, lojas, prédios públicos, estátuas e até mesmo o chão e troncos de árvores têm sido alvo de pichadores nos últimos meses em Franca. São símbolos, desenhos e escritas que muitas vezes não apresentam significado algum à população; incomodam pela sujeira e revoltam pelo vandalismo. 
 
A reportagem do Comércio circulou nas duas últimas semanas por diversas regiões da cidade e constatou que o problema atinge tanto imóveis públicos como privados.
 
Proprietário de uma lanchonete em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, Adriano Bueno Campanhã teve parte de seu estabelecimento, inaugurado recentemente, pichado há cerca de 15 dias e considerou o ato “lamentável”. “Para mim, é falta de educação e cultura, a pessoa precisa ter muito tempo e dinheiro. Mesmo correndo risco de ser alvo novamente, resolvi limpar por minha conta para não denegrir a imagem do estabelecimento e manter a ordem”. 
 
Entre os locais públicos com pichações estão a alça de acesso da avenida das Seringueiras, o viaduto Dona Quita e a Casa do Artista Francano. Na Praça Carlos Pacheco, em frente ao Cemitério da Saudade, no Centro, a audácia é tamanha que bancos, estátuas, o chão e até árvores foram pichados.
 
Segundo o secretário de Segurança e Cidadania do município, Sérgio Buranelli, a Prefeitura acompanha com preocupação essas práticas e lamenta a dilapidação dos patrimônios. “Estamos agindo com patrulhamentos periódicos e direcionados por meio da Guarda Civil Municipal e acreditamos se tratar de uma fase de pichações na cidade”.
 
Em nota, a Prefeitura também informou ter ciência de que vários locais foram pichados recentemente, mas afirma que prefere não relacionar os endereços para não estimular novas ações. “Estamos solicitando apoio e contando com ajuda da Polícia Militar nessa vigilância, pedimos para as pessoas que, ao notarem alguém em ação, anote a placa do veículo e ligue para a Guarda (3724-1033) ou mesmo na central 190 da PM”, disse, em nota enviada pela Assessoria de Comunicação. Ainda via assessoria, a Prefeitura comunicou que os reparos são feitos periodicamente, dentro de uma programação cumprida conforme as condições e os locais afetados.
 
Dificuldades
Para a Polícia Militar, as pichações que sujam portas, muros, pontes e monumentos se proliferam pela cidade e são consideradas como vandalismo e crime ambiental, previstos em lei com pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.
 
De acordo com o setor de comunicação da PM, o crime em questão é de difícil constatação, uma vez que os autores facilmente percebem a aproximação das viaturas e deixam rápido o local. “Isso dificulta a ação e a prevenção do delito. Praticamente inexistem registros na PM, o que é prejudicial ao planejamento operacional estratégico que atua com base na análise dos dados estatísticos”. A Polícia Militar reforçou também a importância da comunidade em realizar as denúncias quando presenciarem alguém pichando ou quando se depararem com indivíduos em atitude suspeita.

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