Guia alimentar: um meio acerto


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Política não é nosso assunto, ainda bem, mas ela permeia e influencia a vida de todos nós - obedecemos a um contrato formulado entre cidadão e Estado, aceitamos previamente as condições e deixamos nossa vida nas mãos dos eleitos. A coisa ficou de tal forma intrínseca que não nos damos conta disso e a vida segue.
 
Ouvi alguém competente, dia desses, dizer que nosso governo federal sofre de certa bipolaridade e, naquilo que tangencia nossa área (comida), ocorreram, há pouco, dois exemplos bastantes esclarecedores dessa suposta dualidade.
 
Começou tão bem! O governo federal lançou um guia alimentar para a população brasileira em geral. Conseguiu de forma clara e equilibrada traçar uma dieta que visa ao mesmo tempo o valor nutricional dos produtos, a economia e o local de produção dos alimentos - nada de novo no front para os conhecedores do conceito do slow food, dá para perceber que beberam na fonte do movimento italiano mundialmente conhecido, famoso por incentivar o consumo dos alimentos bons (para o paladar), limpos (que não degradam o meio ambiente) e justos (que remuneram melhor o produtor). 
 
De qualquer forma, não é o caso de se dizer que foram lá e copiaram, de forma alguma! Houve uma adequação à dieta do brasileiro, fez-se uma coletânea dos alimentos tradicionais de fácil acesso. E ainda se tratou de assunto delicado, o comportamento desejado quando o assunto é comer: comer sozinho, no sofá, diante da TV não é o mesmo que partilhar uma refeição sentado à mesa; que o nutriente da suplementação não é bom como o nutriente do alimento e assim segue...
 
É animador ler o guia e pensar na suposta liberdade de expressão, uma vez que incentivar o consumo de um simples prato de arroz, feijão, muito legume e fruta não agrada em nada nem o agronegócio, nem a indústria de alimentos. Daí o crítico Josimar Melo elogiar também a coragem política quando da elaboração do guia. 
 
Só que parou por aí. E aí vem a incongruência. Dia 28 de abril, aprovaram o projeto de lei que derruba a obrigatoriedade de rotulagem de ingredientes transgênicos. Não é o caso de adentrarmos ao mérito do que é o transgênico. Tem gente que vai dizer que eles existem desde o Egito. Vá lá, mas cada consumidor tem o direito de saber se o alimento é transgênico ou não. E essa medida veste como luva ao agronegócio, 90% da soja e 80% de todo o milho brasileiros são transgênicos. O esforço para a derrubada da informação vem dos gigantes da soja e milho. E mais: se não houvesse qualquer incômodo, advindo daquele triangulozinho amarelo nas embalagens, não haveria razão para tirá-lo.
 
Disso tudo só podemos concluir que o consumidor tem força e tem direitos a serem exercidos, sendo essencialmente um deles escolher livremente o que comer e saber o que se está comendo. 
 
 
Dica da semana
Aspargos saborosos
Na semana passada passei para vocês algumas dicas sobre o cozimento dos aspargos. Fiquei devendo uma maneira gostosa de fazê-los, já que muitos os consideram meio sem graça.
 
Dois sabores vão muito bem e os complementam: ovos e presunto de Parma. O ovo, especialmente, deve ser cozido depois ralado e espalhado por cima deles como queijo ralado.
 
Já o presunto de Parma fica excelente quando fazemos das fatias um amarrado, pois o sabor pungente do embutido passa para o aspargo.
 
Para isso, basta cozinhá-los previamente, conforme lhes falei semana passada, faz-se um maço de cerca de cinco aspargos, e amarra-os com as fatias do presunto cru. Ajeite-os numa assadeira, sem sobrepor, salpique sal grosso por cima, pimenta seca, se desejar, um bom azeite e forno. Crepitou, tá pronto! 

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