Após 47 dias parados, protestos e campanhas de arrecadação de alimentos por terem ficado sem parte do salário (descontado indevidamente pela prefeitura), os servidores que estavam em greve terão boas notícias na próxima segunda-feira. Por determinação da Justiça, a prefeitura terá que fazer a devolução dos valores. Ontem, os trabalhadores receberam os holerites nos quais constava o valor a ser devolvido. A expectativa é de receber o valor e o vale-alimentação no dia 18 de maio.
Em participação na rádio Difusora, no programa Hora da Verdade, que é apresentado por Leandro Vaz e tem comentários do jornalista Corrêa Neves Jr., o advogado do Sindicato dos Servidores, Denílson Carvalho, falou a respeito da decisão. “Os desembargadores da audiência de quarta-feira viram a série de falhas e mentiras que a Prefeitura contou em todo o processo. A intenção era caracterizar a greve como ilegal para demitir os servidores. É um exemplo de como o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) se porta como uma espécie de ‘ditadorzinho’. Isso não foi aceito pela Justiça, pois nosso movimento não foi abusivo”, disse Denílson.
Com o fim da greve, o retorno dos servidores ao trabalho foi marcado pela forma como foram recebidos. De acordo com o presidente do sindicato, Fernando Nascimento, o primeiro dia de trabalho após a paralisação causou diferentes reações nas repartições públicas. “Alguns servidores começaram a sofrer perseguições e me notificaram. Outros foram recebidos normalmente. Nada disso nos afeta, pois queríamos voltar e recuperar os dias não trabalhados”, disse.
Para Fernando, o acordo entre sindicato e Prefeitura para repor as horas é fundamental e o bom senso deve prevalecer. Para ele, o ideal é repor duas horas por dia. “Longas jornadas e turnos noturnos, especialmente para quem já trabalhou o dia todo, não serão aceitos. Se alguém se sentir lesado, deve notificar o sindicato”, ressaltou Nascimento.
Respostas
Na última quarta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu que o movimento grevista não foi abusivo e que a Prefeitura tinha que devolver o salário dos servidores grevistas.
O valor do cartão alimentação deve aumentar de R$ 260 para R$ 270,40 a partir de julho. A audiência marcou o fim da greve, que começou em 28 de março e chegou a reunir mais de 1.500 servidores em protestos pelas ruas da cidade.
O prefeito Alexandre Ferreira tem até segunda-feira para devolver de forma integral os valores descontados, incluindo o vale-alimentação. A multa por descumprimento da decisão é de R$ 10 mil por dia. O julgamento de quarta também determinou que, considerando o interesse público, deve haver reposição das horas não trabalhadas. Porém, ainda não foi definido como será feito esse processo de compensação do serviço não executado.
Procurada via telefone, para esclarecer como a reposição de horas será feita, a assessoria de imprensa da Prefeitura orientou a reportagem a encaminhar as perguntas por e-mail, o que foi feito. Mas, a prefeitura não respondeu aos questionamentos. Também não respondeu sobre a devolução dos salários, nem sobre as eventuais perseguições a servidores, alegadas pelo Sindicato.
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