O sistema tributário brasileiro precisa ser urgentemente repensado. A reformulação é necessária por causa de uma verdadeira injustiça, onde o trabalhador brasileiro vê comprometida grande parte dos seus vencimentos e não recebe em troca serviços públicos de qualidade. Em países onde a carga tributária é semelhante (em relação ao Produto Interno Bruto), a situação é totalmente diversa. Lá, ao contrário do que vemos aqui, os serviços públicos são eficientes, principalmente nos setores de saúde, educação e transportes. Nestes mesmos países, os entes públicos eleitos não recebem vencimentos tão altos e não têm muitos dos benefícios pagos para os do Brasil, além de contar com uma máquina pública enxuta.
Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), os brasileiros vão trabalhar 151 dias do ano apenas para pagar tributos federais, estaduais e municipais em 2015. Isso significa que todos os valores recebidos pelos contribuintes até 31 de maio serão destinados a impostos, taxas e contribuições. Há 20 anos esse número correspondia a 106 dias. Nos Estados Unidos, o contribuinte trabalha 88 dias para pagar impostos. O estudo divulgado pelo IBPT mostra que a carga tributária sobre o PIB (Produto Interno Bruto) continuou o seu ritmo de crescimento em 2014, passando de 35,04% em 2013 para 35,42% no ano passado.
O levantamento aponta ainda que durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a carga tributária se elevou em 1,66 %, contra 1,41% dos oito anos de mandato do presidente Lula e 3,75% dos oito anos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Somente neste início de ano, o Impostômetro da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) já registrou R$ 700 bilhões em impostos nos três níveis da administração pública. É um volume cresce a cada dia e pode atingir perto de R$ 1,5 trilhão no final do ano. É um dinheiro que se perde nos escaninhos da corrupção e na manutenção da máquina pública, aí incluídos salários e despesas com benefícios dos entes públicos eleitos.
Por isso, torna-se necessária uma completa reformulação do esquema atual, onde renda e consumo são igualmente tributados, tornando-se extremamente injusto aos que recebem menos. A reforma tributária é primordial para que o País possa promover a justiça também aí. É preciso ainda que haja mais responsabilidade no trato com os recursos, o que permitiria aos governos federal, estaduais e municipais promover uma melhora nos serviços públicos prestados, com maior investimento em obras. Porém, é preciso que todos os níveis da administração se conscientizem e ajam, passando a pensar mais naqueles que os elegeram e menos em seus próprios interesses. Somente assim é que o sistema tributário brasileiro se tornará justo para todos. Resta saber se eles estão mesmo interessados nisso e não vejam seus eleitores (e contribuintes) como meros financiadores de suas mordomias.
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