'A Menina que Roubava Livros' será apresentado no Cinema e Psicanálise


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Este filme, dirigido por Brian Percival e baseado no livro homônimo de Markus Zusak, narra a comovente estória da menina Liesel (Shophie Nélisse), vítima de situações traumáticas extremas, ocorridas na Segunda Guerra Mundial, mas que demonstra uma incrível força de vida. Perseguida pelo nazismo por ser comunista, sua mãe entrega Liesel e o irmão para serem adotados por um casal (Geffrey Rush e Emily Watson) que se dispõe a cuidar das crianças por dinheiro.
 
Os sofrimentos da protagonista da história vêm como avalanche: é afastada de sua mãe, de seu lar; e no trajeto para sua nova casa, seu irmão morre. Como sobreviver a uma realidade tão assustadora? A menina precisava se agarrar a algo que pudesse lhe oferecer algum referencial, um elo com sua família. No enterro de seu irmão, Liesel pega um livro que o coveiro havia deixado cair na neve. Mesmo não sabendo ler, a garota carrega este livro, que se tornará um primeiro veículo para sua alfabetização. Apaixona-se pela leitura e passa a roubar livros, alcançando o mundo das palavras e da literatura, universo simbólico fundamental para lidar com suas dores, perdas e para descobrir algum sentido no viver. Este caminho esperançoso só ocorreu porque Liesel teve a companhia amorosa, acolhedora e lúdica de seu pai adotivo e também de seu amigo Max (Bem Schnetzer), um jovem judeu que se mantinha escondido no porão de sua casa.
 
Yolanda Gampel, psicanalista que mora em Israel há décadas, trabalhou com órfãos de pais mortos no Holocausto, genocídio de seis milhões de judeus. Pesquisou como estas crianças haviam enfrentado a situação de perderem tudo num único dia e ao que se apegavam para reconstruir suas vidas. Observou que havia objetos que lhes traziam lembranças de seus lares e eram um tesouro que os ajudava a viver. Desde 2005, a Associação Psicanalítica Internacional - IPA (entidade à qual a SBPRP é filiada), através de um Comitê nas Nações Unidas, tem promovido reflexões sobre trabalhos com grupos de pessoas em situações de guerra e violência em geral. A escuta psicanalítica é usada como um meio de favorecer a elaboração de situações traumáticas e prevenir que o ódio entre os povos seja transmitido através de gerações.
 
Freud, no seu texto Reflexões para os tempos de guerra e morte (1915), e em sua correspondência com Einstein (1932) sobre este mesmo tema, aborda os aspectos primitivos, selvagens, presentes no ser humano, e a força de seus impulsos destrutivos. Enfatiza que tudo que contribui para o crescimento cultural também trabalha contra a guerra.
 
Podemos pensar no país em que vivemos e, mais perto, na nossa cidade e no poder de Eros, impulso de vida que se manifesta em preciosos trabalhos educacionais que existem em Franca. Destaco a importância das atividades culturais da ONG Academia de Artes e, em específico, o trabalho de Sônia Machiavelli no desenvolvimento da leitura e escrita de crianças e jovens.
 
As armas da psicanálise e da educação consistem em ouvir o diferente, alcançar palavras, através de laços afetivos e expandir a capacidade criativa do ser humano. Nossa Comissão de Cinema e Psicanálise de Franca convida todos para o encontro de amanhã, dia 16, sábado, no Centro Médico, a partir das 15 horas, onde o filme será comentado pela psicanalista Ana Regina Morandini Caldeira, membro associado da SBPRP.
 
 
ONDE ASSISTIR
Cinema & Psicanálise
Título:  A Menina que Roubava Livros
Diretor: Brian Percival
Quando: Amanhã, a partir das 15 horas
Onde: Centro Médico, sede campestre

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