Entre as cidades do País com mais de 200 mil habitantes e menos de 500 mil, Franca é a menos violenta. É o que revela o relatório Mapa da Violência 2015 - Mortes Matadas por Armas de Fogo, do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, e divulgado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O documento, lançado ontem em Brasília (DF), foca a mortalidade por armas de fogo no Brasil. Eles incluem homicídios, suicídios e acidentes pela ação de armas de fogo.
O relatório é o terceiro com foco em mortes ocorridas exclusivamente por disparo de armas de fogo. O primeiro foi divulgado em 2005 e o segundo em 2013. A nova versão incorpora dados de 2010 a 2012. A fonte primária dos dados é o SIM (Subsistema de Informação sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, gerido pela Secretaria de Vigilância em Saúde e baseado nas declarações de óbito expedidas em todo o país. O levantamento registra o local das mortes e características das vítimas, como idade, cor e gênero.
Franca, entre os anos de 2010 e 2012, segundo o estudo, teve 19 homicídios com o uso de armas de fogo. No total foram 27 mortes em decorrência destes homicídios e mais suicídios ou acidentes com armas de fogo na cidade. Com uma população estimada em 323 mil pessoas, Franca foi a que registrou o menor número de mortes com tiros para cada grupo de 100 mil habitantes entre os municípios brasileiros com população entre 200 mil e 500 mil pessoas. A taxa média de homicídios em três anos para cada grupo de 100 mil habitantes foi de dois. O número de mortes totais causadas por armas no mesmo período foi de 2,8 por grupo.
O segundo lugar na lista pertence a Americana (SP). Com 215 mil habitantes, a cidade registrou 4,5 mortes com armas de fogo. Outra cidade do interior paulista aparece em terceiro lugar. Marília registrou a taxa média de 5 morte. Arapiraca (AL), com 218 mil habitantes, e Itabuna (BA), que tem 205 mil habitantes, dividem o penúltimo lugar em violência com 84,8 mortes na média para cada grupo de 100 mil.
Ananindeua (PA), com 483 mil habitantes, é a última da lista com 104,9 mortes. Na comparação com Franca, o município do Pará registra 52 vezes mais mortes por arma de fogo.
Migração da violência
Ananindeua (PA) e Simões Filho (BA) são os únicos municípios brasileiros em que as taxas de mortalidade por armas de fogo, acima de 100 por 100 mil habitantes, equivalem às de zonas de guerra. O Mapa da Violência 2015 - Mortes Matadas por Armas de Fogo, do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, mostra que as zonas metropolitanas das capitais, sem as mesmas condições de manter os aparatos de segurança das vizinhas mais ricas, estão herdando os crimes e as mortes. Dentre as 20 cidades com maiores taxas de assassinatos por armas de fogo, 14 estão em zonas metropolitanas das capitais e uma é a própria capital, Maceió.
De acordo com o autor do estudo, a violência homicida deixou os grandes centros, como Rio e São Paulo, e migrou para centros menores, onde a estrutura de segurança e social é menor. A falta de Estado se reflete no crescimento das mortes em cidades das periferias das capitais, em polos de desenvolvimento no interior dos Estados.
Clique na imagem para ampliar:
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
