Cerca de 300 servidores públicos lotaram o Teatro “Judas Iscariotes”, ontem, para se informarem sobre o julgamento da greve. Nesta quarta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu que o movimento foi legal e que a Prefeitura de Franca tem que devolver o salário descontado dos servidores grevistas. Também que o valor do cartão alimentação deve subir de R$ 260 para R$ 270,40, a partir de julho. A assembleia marcou o fim da greve, que começou em 28 de março e chegou a reunir cerca de 1.500 servidores em protestos pelas ruas da cidade.
O encontro contou com pronunciamentos do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Luís Fernando Nascimento, e do advogado Denílson Carvalho. Depois, houve abertura para perguntas que abordavam em sua maioria a reposição dos dias parados. Ainda não existem definições sobre o tema.
O presidente do Sindicato avaliou a greve como vitoriosa e positiva, pontuando os avanços do julgamento. “Não foram R$ 10 que ganhamos no cartão alimentação e, sim, R$ 30, que seria o aumento de R$ 240 para R$ 270,40”, afirmou Nascimento.
O advogado do sindicato retomou o histórico da greve, destacando que o um dos pontos centrais do movimento foi a aprovação, pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), do projeto de lei que reajustou o salário e o cartão alimentação sem negociar com a categoria.
Esse aspecto foi também abordado pelo vereador Márcio do Flórida (PT), que esteve na assembleia. Ele considera que essa atitude da Prefeitura foi uma das que mais irritaram os servidores. “A Prefeitura se utilizou de práticas antissindicais em todo o processo. Assim, por fim, o servidor estava na greve devido à intransigência do prefeito e da falta de respeito com a categoria”, pontuou o vereador.
Os servidores também ressaltaram essa luta pela dignidade e consideraram o efeito social da greve um dos avanços mais importantes do movimento. “Inicialmente, estávamos voltados para uma campanha salarial, mas diante da ditadura camuflada da administração, nos sentimos no direito de dar uma lição de democracia para a Prefeitura”, afirmou o professor Luís Fernando Pessoni, 43.
O reajuste no salário de 7,68%, que corresponde à reposição da inflação, foi mantido. A categoria reivindicava mais 7,32% de aumento real.
Volta ao trabalho
Os servidores que haviam aderido à greve voltaram ao trabalho na manhã desta quinta-feira. O sindicato já havia entrado em um acordo com a categoria para combinar esse retorno.
Houve orientação para que os funcionários não aceitem perseguição no local de trabalho. “Nós começamos uma guerra agora, ela não acabou ontem. Vamos acompanhar cada passo que o prefeito der que possa prejudicar vocês”, disse o advogado Denílson Carvalho.
Para alguns servidores, a volta para o serviço foi tranquila, havendo até recepção com café da manhã, mas para outros existiu um clima de tensão, mesmo que velada.
“Vemos uma separação subjetiva entre os que participaram da greve e os que não aderiram”, disse o professor Luciano Terra, 35.
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