O problema é de gestão


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A aprovação das medidas de ajuste fiscal que atingem diretamente os direitos adquiridos pelos trabalhadores brasileiros permitiu aos deputados federais incluírem numa das medidas provisórias o fim do fator previdenciário, que limita o ganho de quem se aposenta em até 40%, dependendo da idade e do tempo de contribuição. Porém, o que ninguém explicou direito é como funcionará. De acordo com o que se viu, o fator ainda continuará existindo no caso do trabalhador não atingir a regra 85/95. Agora, para se aposentar com 35 anos de contribuição, o beneficiário deve ter pelo menos 60 anos de idade (para mulheres, 50). Sem isso, o fator continuará valendo. Assim, a entrada no mercado de trabalho mais cedo continuará sendo desestimulada.
 
As discussões que envolvem defensores da medida (dos partidos de oposição e outros com a denominação trabalhista na legenda), se opõem à base aliada do governo, principalmente PT e PMDB, que divulgam aos quatro ventos a falência do sistema previdenciário brasileiro. Porém, o problema é mais sério, se considerarmos que a Previdência Social vem sendo gerida de forma amadora ao longo das décadas, independente de quem ocupa o poder. Nunca se buscou modificar o que aí está sem prejuízo aos direitos de quem trabalha anos a fio, contribui e espera ser amparado quando mais precisa, ou seja, quando já não tem mais condições de manter o ritmo normal de vida.
 
Em nosso País não há qualquer preocupação com o bem-estar daqueles que mais precisam. Prova disso é o descaso com que a Saúde e a Educação públicas são encaradas. Com a Previdência é a mesma coisa. Com tanto dinheiro escorrendo pelo ralo da corrupção, que superfatura obras e trava os investimentos, não há qualquer iniciativa que busque financiar os benefícios. Se os cofres públicos forem tratados com responsabilidade, inclusive com o fim de benefícios de administradores e legisladores eleitos pelo voto, os quais não são estendidos aos trabalhadores comuns, há solução. Além disso, os fundos previdenciários de estatais, que são usados politicamente e causam rombos ainda maiores no que é despendido por seus servidores, precisam de um acompanhamento de perto, para que não acabem consumindo todo o dinheiro que deveria ser destinado aos beneficiários.
 
É preciso que se tenha uma visão mais crítica do sistema previdenciário brasileiro, que vem sendo administrado da mesma forma desde quando foi implantado, isto em meados do século passado. Há necessidade de uma verdadeira reforma, buscando ampliar os seus fundos para que os trabalhadores não sejam prejudicados. Enquanto legisladores se beneficiarem de aposentadorias integrais com a metade do tempo exigido à grande massa trabalhadora brasileira, nada poderá ser feito. Vai ser necessário grande espírito cívico e altruísmo para que a maioria não pague pelas mordomias de uma minoria que aumenta os próprios salários em patamares elevados, sem se preocupar com a situação do próprio país. Será que nossos legisladores estão interessados nisso?
 
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