‘Febre quebra ossos’ aniquila pacientes: ‘É uma sensação horrível’


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Vigilância Sanitária de Franca intensificou os trabalhos de combate aos criadouros do mosquito da dengue nos bairros mais afetados
Vigilância Sanitária de Franca intensificou os trabalhos de combate aos criadouros do mosquito da dengue nos bairros mais afetados
A dengue não é novidade para ninguém, mas o sofrimento causado por ela só entende quem já teve ou acompanhou de perto os sintomas da doença. De acordo com o médico infectologista Rubens Pereira Santos, do Hospital Regional de Franca, a dengue é conhecida popularmente como “febre quebra ossos” e provoca muita dor, mal-estar e, eventualmente, pode matar.
 
Febre alta, cansaço excessivo e muita dor. É assim que o adolescente Samuel Barbosa Neto descreve seus últimos dias. Com dengue, o jovem está há quase uma semana em casa de repouso absoluto e sem apetite. “Sinto muita dor, em várias partes do corpo. Os remédios aliviam um pouco a febre, mas a dor é insuportável. Além do cansaço excessivo, mal consigo me movimentar nesses dias. O apetite também caiu muito e só quero que isso passe logo”, disse.
 
Moradora no bairro Santa Cruz, Maria Selma de Souza, 44, e mais dois filhos contraíram a doença neste mês. “É uma sensação horrível de impotência. Eu sentia muita dor e não conseguia fazer mais nada, além de ficar deitada. Nunca mais quero pegar essa doença e aconselho a todos a evitarem os focos (criadouros do mosquito transmissor), pois é muito sofrimento e só quem já passou sabe”, afirmou.
 
A aposentada Fátima Soares, 50, está com dengue há mais de uma semana e ainda sofre com os sintomas. “Essa doença é muito sofrida. Os médicos solicitam repouso, mas não é preciso nem recomendar isso, pois é impossível fazer qualquer coisa. A dor no corpo, nos olhos e cabeça é imensa. Só espero que isso passe logo”, ressaltou a moradora no bairro Chico Neca.
 
Morador no bairro Jardim Aeroporto II, um dos locais mais afetados pela dengue na cidade, João Antônio, 27, contraiu a doença em fevereiro, mas ainda se lembra do sofrimento vivido. “Emagreci três quilos em apenas alguns dias. É impossível comer e a única coisa que conseguimos fazer é continuar deitados. A dor é imensa e o cansaço infinito.”
 
Apesar dessa “dor imensa”, sintoma comum da dengue, o infectologista informa que os pacientes devem evitar a automedicação, principalmente o uso de anti-inflamatórios. Além disso, as pessoas que contraírem dengue devem se atentar em relação a qualquer sinal de sangramento e procurar atendimento médico.
 
“A grande maioria dos casos de dengue evolui bem, sem sequelas, mas alguns raros podem se agravar e se complicar, inclusive com choque e hemorragia grave, podendo ocorrer o óbito. Por isso, a principal indicação é que os pacientes que apresentarem os sintomas da doença procurem um médico para serem medicados e orientados de forma correta”, disse Santos.
 
Números
Franca já tem 572 casos confirmados de dengue neste ano, além de 72 importados, de acordo com o diretor da Vigilância Sanitária, José Conrado Netto. Os bairros com maior registro da doença são os do Complexo do Aeroporto, Santa Bárbara, Ângela Rosa e Paulistano II.
 
O trabalho de prevenção e orientação realizado pelo setor de Controle de Vetores continua a ser realizado normalmente, mesmo nesta época mais seca do ano, priorizando as regiões mais atingidas.
 
Segundo Netto, o mosquito transmissor tem se adaptado às condições do tempo e, por isso, os cuidados precisam persistir. “Realizamos o trabalho de casa em casa durante todo o ano. A principal forma de evitar novos casos é com a cooperação dos moradores, que devem evitar o surgimento de novos focos. Só assim será possível acabar com a dengue.”

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