Vitória moral


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O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) bateu o pé durante as negociações com os servidores e disse que não poderia dar nem um centavo a mais no vale alimentação além dos R$ 240 que havia proposto manter. Com o fortalecimento da greve e a chance de ser derrotado na Justiça, se contradisse e mandou projeto para a Câmara, sem consultar a categoria, fixando o vale em R$ 260. Os 12 vereadores da base aliada ignoraram os apelos dos trabalhadores, que não aceitavam o valor, e aprovaram a proposta. Passaram a ser tratados pelos servidores como traidores e foram enterrados simbolicamente. No julgamento realizado ontem, o Tribunal Regional do Trabalho determinou que o valor seja reajustado para R$ 270,40 no segundo semestre. Ou seja, R$ 30 a mais do que o prefeito insistia em pagar no começo das negociações.
 
Compensou tanto barulho para ganhar apenas R$ 30, deve estar se perguntando o amigo leitor. Eu respondo: para quem ganha bem, a quantia não fará diferença. Mas, para os que recebem salários menores, o dinheiro será muito bem-vindo e ajudará a completar o orçamento.
 
O que fica da greve, no entanto, não são os valores. É a vitória moral dos servidores sobre Alexandre Ferreira. Primeiro, o prefeito não acreditava na greve e no poder de mobilização da categoria. Teve que conviver com os protestos diante de seu gabinete por 50 dias. 
 
O golpe mais duro foi dado ontem, quando o TRT mandou o prefeito devolver em cinco dias o dinheiro que descontou do pagamento dos servidores e o proibiu de fazer outros descontos. No dia em que se comemorava a Abolição da Escravatura, o Imperador das Três Colinas teve que se curvar à Justiça. Já os servidores se libertaram. E lavaram a alma (leia sobre a decisão na Página 3A). 
 
Pá de cal: Um tucano de alta plumagem avaliou a derrota moral que o prefeito sofreu para os servidores como o tiro de misericórdia nas pretensões de Alexandre em disputar a reeleição no ano que vem. A categoria soma cinco mil funcionários formadores de opinião.
 
Quem ri por último...: Na sessão do dia 28 de abril, o presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS), leu decisão da Justiça, que havia negado pedido de liminar feito pelo sindicado, e irritou os servidores ao anunciar que os dias parados seriam descontados. Espera-se que na próxima reunião, ele faça o mesmo e diga que Alexandre foi obrigado a devolver o que tirou. 
 
Pôxa, Xandão!: Laercinho (PP) estava eufórico em atingir o ápice de sua carreira política ao assumir a liderança do prefeito na Câmara. Mas, em ofício encaminhado aos vereadores, Alexandre informou que ele é “vice-líder”. Vai quebrar o galho até Vergara (PSB) cumprir a suspensão.
 
Geladeira: Caso não consiga nenhuma decisão judicial favorável, Vergara só poderá voltar a exercer a função de vereador no dia 12 de julho. Até lá, nada de carro oficial, salário ou “carteirada” na Expoagro. Seu assessor, Rodrigo de Paula “Soró” ficará à disposição da presidência.
 
Santa inocência: A Câmara autorizou o prefeito a fazer alterações no orçamento e liberar R$ 3,2 milhões para concluir quatro creches, três delas investigadas por desvio de recursos públicos. O vereador Cordeiro (PSB) não gostou de ver Radaeli (PMDB), Valéria (PSDB) e Márcio do Flórida (PT) protestarem. “Temos que confiar e acreditar no prefeito”. Alexandre é réu no processo.
 
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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