Liberdade & licenciosidade


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Não foi a primeira vez. E, a continuar no ritmo atual, não será a última. Novamente o portal GCN e o Comércio divulgam fato semelhante a vários outros ocorridos no interior de escolas públicas de ensino fundamental e médio da cidade envolvendo professores e alunos menores de idade. A notícia, igual a tantas outras verificadas em diversos pontos do País, algumas com resultados funestos, deveria servir como alerta para a situação em que estamos vivendo, quando a confusão entre liberdade e licenciosidade torna mais evidente a necessidade de uma complexa reformulação em nosso sistema legal, onde o adolescente menor de idade pode tudo e não é cobrado por isso.
 
Segundo informou ontem este Comércio, uma professora que pediu para não ser identificada procurou a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para denunciar um dos seus alunos. De acordo com ela, o garoto de 13 anos a ameaçou, xingou e tentou agredi-la com uma cadeira. “Só não apanhei, porque corri da sala de aula”, disse. Ainda de acordo com a professora, a situação ocorreu após ela ter advertido o estudante. Estarrece a informação dada por ela à polícia e à reportagem deste jornal: “muitos alunos estão na escola para fazer qualquer coisa, menos estudar. É o caso deste menino, que já foi expulso de outras duas escolas”.
 
A situação é recorrente nos dias de hoje, quando há uma completa inversão de valores, com uma escudo de proteção irrestrita aos menores de 18 anos, que podem ajudar a escolher presidente, mas não podem ser responsabilizados por seus atos. Os professores não são mais respeitados e, pior, com frequência são ameaçados ao cumprirem a sua missão: educar. E convivem no seu cotidiano com ameaças, agressões e muito medo, o que contamina todo o ambiente e prejudica o aprendizado daqueles que têm interesse em estudar.
 
A questão ainda envolve os pais que, por uma série de motivos, esperam que o professor, além de ensinar, promova formação moral em seus filhos. Acontece que, quando não encontram respaldo no ambiente familiar do aluno (que sofre influências negativas não apenas dentro de casa mas também em seu círculo de relacionamento), é impossível fazer qualquer coisa. Caso o professor fosse escudado pela legislação, a situação poderia se mostrar bem diferente. O que vem ocorrendo é que a qualquer ação mais rigorosa, o professor tem que se explicar na delegacia de polícia mais próxima. Com isso, o profissional se sente acuado e totalmente desmotivado para levar a bom termo a sua vocação. 
 
Ensinar não é fácil. Formar cidadãos mais difícil ainda. Por isso é necessário que poder público e sociedade civil se unam no sentido de buscar uma solução definitiva para acabar com esta violência que chegou à sala de aula, reproduzindo o que vem acontecendo em nossas ruas. A legislação precisa proteger e defender os menores de idade. Mas esta proteção também tem que ser estendida aos que lidam com eles. A situação atual já se torna intolerável, na medida em que o menor de idade não é cobrado por seus atos. O fato envolvendo professora e aluno deve servir como um alerta de que a questão clama por uma solução e o Brasil não pode esperar mais.
 
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