Servidores anunciam o fim da greve


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Durante a sessão da Câmara, na manhã de ontem, os servidores públicos municipais em greve deram as costas para os vereadores: parte deles usava nariz de palhaço
Durante a sessão da Câmara, na manhã de ontem, os servidores públicos municipais em greve deram as costas para os vereadores: parte deles usava nariz de palhaço
O Tribunal Regional do Trabalho julgará, nesta tarde, a legalidade da greve dos servidores públicos do município. Independentemente do resultado, a categoria decidiu encerrar a paralisação e diz se sentir vitoriosa por ter mantido o movimento até o dia da decisão judicial. Amanhã, os funcionários da Prefeitura vão retornar ao trabalho depois de ficarem quase 50 dias com os braços cruzados. O anúncio de que a greve, decretada dia 28 de março, chegou ao fim foi feito durante os protestos de ontem, na sessão da Câmara.
 
Pela quinta semana seguida, os servidores lotaram o plenário. Eles se vestiram de palhaços para encenar o “circo de horrores”. “Hoje tem marmelada? Tem sim senhor. E o vereador, o que quer? Uma secretaria qualquer”, ironizava um dos cartazes. “O nosso movimento foi um exemplo para a sociedade. Mostramos nosso valor. Chegou a hora da verdade. A greve será decidida em um dia emblemático, 13 de maio. Não seremos mais escravos da administração. Demos o nosso grito de liberdade”, disse Willian Ferreira. Vestido de palhaço, o professor Luciano Terra fez um discurso contundente na tribuna. Ao iniciar a fala, avisou que falaria tudo o que o servidor sempre quis dizer. Não era uma força de expressão. Durante mais de 20 minutos, deu “um tapa na cara” do prefeito e dos vereadores, que ouviram calados e de cabeça baixa. E encerrou seu pronunciamento dizendo: “Meus senhores, aqui no galinheiro, onde está cheio de galinhas, vocês cantam de galos. Na Justiça, onde estão as águias, vocês não cantam, piam como pintinhos”.
 
Luciano deixou o plenário sob aplausos e foi recebido com abraços pelos servidores. O clima era de sentimento do dever cumprido, de despedida. Em seguida, o presidente do Sindicado, Fernando Nascimento, disse que a greve estava chegando ao seu final. “Vamos encerrar o movimento amanhã (hoje). Quinta-feira, todos vão voltar ao trabalho”.
 
O sindicalista disse que é necessária a assembleia para oficializar a posição dos servidores, mas que a categoria já entrou em acordo para voltar ao trabalho antes mesmo da realização da mesma, marcada para a noite de quinta-feira. A reunião dos servidores será realizada no Teatro Judas Iscariotes, às 18h, quando também será explicado o resultado do julgamento marcado para hoje, em Campinas, às 13h30. “Independente do resultado, já somos vitoriosos e vamos voltar ao trabalho. O objetivo era que houvesse o julgamento e conseguimos. Sendo a greve legal ou não, todos estarão trabalhando na quinta-feira”, repetiu.
 
O líder dos servidores fez uma avaliação positiva da greve e disse que o movimento ficará marcado pela força e união mostradas pelos trabalhadores. “Ninguém conquista nada sozinho. Tem que ser através do conjunto, do grupo. Conseguimos reunir mais de dois mil servidores na nossa luta em busca de conquistas, respeito e valorização. O movimento mostrou a nossa força”.
 
Fernando Nascimento destacou a coincidência do TRT julgar a legalidade da greve no dia 13 de maio, data em que a Lei Áurea foi sancionada pela princesa Isabel, e disse que as relações entre servidores e governo municipal vão mudar após a greve. “Para nós, a data também é muito importante, pois vamos fazer a nossa libertação. Nosso movimento ficará na história da cidade”. Com o julgamento em Campinas e anunciado fim da greve, nenhum protesto foi marcado para hoje.

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