Pais de alunos sofrem por falta das creches interditadas


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No Guanabara, areia e pedras na calçada diante de um portão fechado
No Guanabara, areia e pedras na calçada diante de um portão fechado
As quatro creches da Prefeitura que estavam sendo construídas pela FFC Engenharia continuam com as obras paradas, desde que foram interditadas em fevereiro. Os pais com crianças em idade escolar, que moram nas proximidades das unidades, reclamam dos problemas que enfrentam com a falta de creches.
 
A educadora Érica Martins Miranda, 32, está atualmente desempregada porque não tem onde deixar sua filha pequena. “Já tive que abandonar várias oportunidades de trabalho, porque não consigo vaga em creche para minha filha. Moro no Tropical e, se inaugurasse a unidade do Palermo City, seria muito bom”, disse. Ela conta que sempre liga na Secretaria Municipal de Educação para saber quando a creche vai ficar pronta, mas é informada que não existe uma previsão de entrega.
 
No Jardim Luiza I, moradores têm de recorrer ao bairro vizinho para levar os filhos à creche. A sapateira Adriana Tavares, 24, mora na rua Luís Milani, onde fica uma das creches interditadas. Para ela, que leva a filha a pé até a unidade escolar, um local mais próximo facilitaria o seu dia-a-dia. “A gente fica esperando inaugurar essa creche, porque ia ficar bem melhor para eu levar minha filha. Quando chove, fica difícil ir até o Luiza II, onde ela é matriculada”, disse a sapateira Adriana Tavares.
 
No bairro Palermo City, a inauguração da creche beneficiaria a família do sapateiro Elieser Átila Ribeiro, 33, duplamente. “Uma creche mais perto seria mais fácil para deixar meu filho e também uma oportunidade para minha mulher, que é auxiliar de educação, ser transferida para trabalhar aqui”, explicou o morador do bairro.
 
O filho do sapateiro está atualmente em uma creche no Jardim Pulicano, onde foi difícil obter vaga, já que as crianças que moravam no bairro tinham prioridade.
 
Mesmo para quem não tem filho em idade escolar, as creches interditadas chamam a atenção por estarem sendo alvo de vandalismo e descaso, mesmo antes da inauguração.
 
A unidade da Quinta do Café, por exemplo, está com o muro pichado. Nesse local, ontem, havia dois funcionários da Prefeitura em cima do telhado com materiais de medição, mas eles afirmaram que a obra ainda estava parada.
 
Já na creche do Guanabara, os vizinhos se preocupam com possíveis criadouros de dengue. “Pode até ter algum recipiente com água parada, já que ficou tudo inacabado e não vem ninguém mexer faz tempo”, alerta a enfermeira aposentada Zilza Belmonte do Nascimento, 71. 

O caso
A empresa FFC Engenharia e Construções Eireli ganhou a licitação para as quatro creches, que começaram a ser feitas no final de 2013. No ano passado, a construtora repassou indevidamente as obras para uma empresa chamada Grupo J 
 
Os representantes do grupo, Jonatas Roberto Fonseca e Mauro Pimentel de Lima “quarteirizaram” o serviço, contratando empreiteiros para seguirem com as obras.
 
A FFC deixou de pagar o Grupo J que, por sua vez, ficou devendo para os empreiteiros. O caso foi denunciado pelo Comércio após empregados sem pagamento protestarem contra o Grupo J e a FFC, em janeiro.
 
O Ministério Público Estadual denunciou o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), o secretário municipal de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, entre outros funcionários da Prefeitura, e empreiteiros por fraude nas obras.
 
Uma ação na Justiça proposta pelo MP acusava os envolvidos de terem desviado R$ 565 mil. Segundo o promotor Paulo Borges, os engenheiros da Prefeitura teriam assinado relatórios para o pagamento de serviços e compras não realizadas. 
 
A reportagem entrou em contato com o promotor, mas ele disse que não era possível dar informações sobre o caso, pois o processo corre em segredo de Justiça.

Sem prazo
A reportagem entrou em contato com o secretário de Planejamento, Nicola Rossano, por meio do telefone e pela assessoria de imprensa da Prefeitura, mas não obteve resposta.
 
A secretária de Nicola, Vanessa Pereira, informou que não há ainda licitação para que uma nova empresa siga com as obras. Sobre os funcionários que estavam na creche da Quinta do Café, ela disse que eles avaliavam o que falta nas construções para ser registrado na futura licitação.

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