A Câmara dos Deputados aprovou na noite do dia 7 de maio a MP-665, primeira etapa do chamado ajuste fiscal proposto pelo Ministro da Fazenda para tentar reequilibrar as contas públicas, desarticuladas no quadriênio anterior. Um passo à frente, sem dúvida, mas não se pode descuidar da próxima etapa no Senado, e da MP-664.
Falamos muito em consertar, em reajustar. Obviamente consertamos o que está quebrado reajustando o que está em desequilíbrio. Mas, e o futuro, como fica? O mesmo governo que pretende o ajuste poderia, oportunamente, propor também um programa capaz de levar o país a futuro promissor, onde esperanças se tornassem realidade. Para tanto seria interessante dispor de uma agenda para o desenvolvimento, para o progresso.
O que vemos ao nosso redor? Desemprego, inflação, indústria de transformação em declínio assustador. No social, invasões de prédios, greves, violência e insegurança. O setor automobilístico dá mostras claras da situação que vem enfrentando há tempos: grandes montadoras estão dispensando contingentes enormes de trabalhadores ou colocando-os em férias coletivas; também, suspendendo temporariamente contratos de trabalho (lay off). As estatísticas revelam que a indústria, como um todo, recuou 5,9% no primeiro trimestre deste ano face a igual período de 2014, resultado que não acontecia desde 2009. No acumulado nos 12 últimos meses, a queda é de 4,7%.
A inflação é o segundo maior mal, depois do desemprego. Mesmo com ligeira trégua em abril (0,71%), a meta para o ano foi ultrapassada: o IPCA, índice oficial, alcançou 4,56% nos quatro primeiros meses do ano. Alta de preços aflige a todoss. Não só o ajuste é necessário. É importante saber onde, como e quando encontrar a luz no túnel. Merecemos a esperança de melhores dias de crescimento e progresso com uma agenda positiva para o desenvolvimento!
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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