Por conta da impopularidade e possibilidade de sofrer hostilidades, a presidente Dilma Rousseff tem deixado de comparecer a eventos.
Não falou aos trabalhadores em Primeiro de Maio e esteve ausente das comemorações do 70º aniversário do final da 2ª Guerra Mundial, onde pracinhas brasileiros tiveram decisiva participação.
No último final de semana foi alvo de panelaço em São Paulo, à porta da festa do casamento de seu médico, onde compareceu como madrinha. Por mais que se tente dar tom de normalidade às manifestações, não é normal. Para o bem de um país, seu governante não pode viver refugiado ou fortemente guardado.
Ao mesmo tempo em que foge do povo, Dilma é fustigada pelo Congresso. Seu governo sofre sucessivas derrotas, a base de apoio está fragmentada e seus negociadores, especialmente o vice-presidente Michel Temer, fazem malabarismos para evitar males maiores.
O clima de barganha é permanente. Há líderes advertindo parlamentares que ‘quem votar a favor será recompensado’ e ‘quem for contra arcará com as conseqüências’. O noticiário revela severa luta de bastidores pela nomeação em cargos de segundo escalão e partidos pressionando por troca de ministros. Por mais que se queira negar, a governabilidade está em risco.
Um país com a dimensão, compromissos econômicos e sociais e o peso de ser uma das dez maiores economias do mundo, não pode viver como refém de uma situação dessas.
Mais que impeachment, renúncia ou cassação é necessário sermos governados por alguém que possa aparecer em público e cumprir seu protocolo sem sofrer agressões.
O país perde credibilidade e investidores começam a nos evitar. Oxalá se possa retornar ao bom senso e colocar fim às tensões.
O brasileiro precisa de um governo que efetivamente o represente e, como tal, dele não tenha a necessidade de fugir.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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