Atacadistas do Ceasa alegam prejuízo com disputa ‘desleal’


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Centro de distribuição do Ceasa: comerciantes se queixam da concorrência dos ambulantes
Centro de distribuição do Ceasa: comerciantes se queixam da concorrência dos ambulantes
Um problema antigo tem atormentado ainda mais os atacadistas do Ceasa de Franca, neste tempo de crise. A venda de hortifrúti por caminhões e ambulantes em toda a cidade, considerada por eles uma concorrência desleal, tem diminuído a cada dia os negócios no centro de distribuição, que caíram até 50% nos últimos meses. 
 
O atacadista Gilson Machado, que trabalha exclusivamente com o comércio de tomates e está há 18 anos no Ceasa de Franca, disse que suas vendas caíram entre 30% e 40% nos últimos meses. As vendas por ambulantes e caminhões seriam fator determinante para essa queda. “Reivindicamos que a Prefeitura fiscalize e garanta as mesmas condições de trabalho para nós e para esses comerciantes que vendem de forma irregular pela cidade”, disse Machado. “Pagamos impostos, taxas, funcionários, etc. Considero uma concorrência desleal competir com esses comerciantes que chegam à cidade e não pagam nenhuma taxa para realizar suas vendas”, alegou.
 
Comerciante de frutas, legumes e verduras, Francisco Bagnarelli, há 15 anos no Ceasa, se diz um dos mais prejudicados com as vendas realizadas por caminhões e carriolas clandestinas. 
 
“Cobramos uma fiscalização mais intensa da Prefeitura. Sem o pagamento de impostos e taxas, que realizamos para trabalhar legalmente, esses vendedores podem facilmente oferecer valores inferiores. Por isso, acabam realizando uma venda desleal. Nos últimos meses houve uma queda de mais de 50% nas minhas vendas”, enfatizou.
 
Ainda de acordo com as reclamações, motoristas estacionariam seus caminhões próximo ao Ceasa nos dias de mercado, que acontecem toda segunda e quinta-feira, onde venderiam os produtos com preços inferiores. Dessa forma, “roubariam” clientes que realizariam as compras nos módulos do centro de distribuição. 
 
“Estou no Ceasa há muitos anos, mas nos últimos meses essa concorrência tem prejudicado drasticamente as nossas vendas. A concorrência deve ser leal, se querem trabalhar que paguem as taxas e impostos e venham competir de igual para igual”, disse Donizete Rodrigues, comerciante de tomates. 
 
Fiscalização
Buscando auxílio para solucionar o problema, o gerente do entreposto, Giovani Dominici, procurou o vereador Márcio do Flórida (PT). “Baseado nas reivindicações realizadas pelos permissionários do Ceasa, que se sentem prejudicados com as vendas de caminhões clandestinos, encaminhei para o Executivo um requerimento solicitando informações sobre o assunto e se a Prefeitura estuda alguma alternativa para coibir essa prática comum, mas que prejudica consideravelmente os atacadistas”, disse o vereador.
 
Segundo o responsável pelo setor de fiscalização da Prefeitura, Éder Brazão, o comércio atacadista realizado por caminhões diretamente nos estabelecimentos comerciais é legal. Sobre os caminhões que estacionam próximo ao Ceasa, Brazão informou que foi realizada uma fiscalização, mas o problema não foi constatado.
 
Já os ambulantes necessitam de autorização da Prefeitura para trabalhar. Brazão disse que constantemente são realizadas apreensões de produtos e aplicadas multas nos irregulares.

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