Como se não bastasse ter uma posição política que muita gente detesta, escrevo abusando de ironias, de citações, de sujeitos ocultos e sempre me encrenco. As bobagens que recebo como comentários é assustadora.
Nas eleições de 2014, inspirado em podcast do prof. Olavo de Carvalho, construí a Escala AECIO, um fenômeno da interpretação de textos nas mídias sociais onde todo mundo opina e todo mundo se acha com a razão. A cada postagem, eu ficava maravilhado. Alguns comentários eram densos, provocativos, com conteúdo, inteligentes, mas a maioria respeitava a Escala Aecio.
Vamos a ela. O ‘A’ é de Acesso. O indivíduo tem acesso a uma determinada informação. Lendo, ouvindo, assistindo, tocando, não importa como. ‘E’ de Entendimento. O indivíduo faz um esforço mental para interpretar e entender aquela informação. ‘C’ de Conclusão. Achando que entendeu, tira sua própria conclusão sobre a informação com a qual teve contato. ‘I’, de Imputação. O indivíduo imputa sua própria conclusão a um terceiro, normalmente o autor ou mensageiro que trouxe a informação. ‘O’, de Ofensa. O indivíduo passa a ofender aquele terceiro pela conclusão que ele, o indivíduo, tirou da informação que recebeu.
O sujeito não entende o que lê, tira as conclusões que consegue, as imputa a mim e me ofende pelas conclusões que ele mesmo tirou.
Não escrevi o que o indivíduo entendeu, não disse o que ele compreendeu, mas ele acha que eu sou o responsável pelo que ele entendeu. Quem tem Facebook sabe do que eu estou falando.
A Escala AECIO é uma das pragas que destróem as áreas de comentários de jornais, revistas e da internet.
Tem acabado com a capacidade das pessoas de dialogar ou de debater de forma sadia qualquer tema por qualquer meio.
Outras pragas são a ignorância, a falta de educação e a intolerância, temas para outras reflexões.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista. O texto faz parte de novo livro — Me Engana que Eu Gosto — a ser lançado nos próximos dias
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