Ser mãe é uma missão repleta de anseios e expectativas. Ser mãe é sentir gratidão por tudo que se aprende e recebe da família, especialmente dos filhos. O Dia das Mães, comemorado hoje, é escolhido entre os 365 dias do ano para homenageá-las.
Para esta data, o Comércio escolheu quatro histórias repletas de emoção como uma forma de homenagear todas as mães. A primeira delas conta a trajetória de uma mãe de três filhos. O diferencial? Os três são irmãos e foram adotados ao mesmo tempo no fim do ano passado. A outra história narra a luta de uma mãe pela sobrevivência de seu filho. Prematuro, Elias nasceu no quinto mês de gestação e cada dia vivido se tornou uma vitória para a família. A terceira narrativa traz uma mãe que não sabia que estava grávida ao se casar e, no meio da gestação, precisou passar por uma cirurgia de risco. E mais: estava esperando gêmeas.
A última história é de uma mãe de muitos filhos. Enfermeira do Centro Obstétrico da Santa Casa há 27 anos, ela já ajudou cerca de 350 crianças e suas mães nestes de profissão. Confira, se emocione e acompanhe a história de Débora, Luciana, Geisa e Vilma e de seus maiores bens: os filhos.
A ‘mãe’ de 350 filhos
Vilma Aparecida das Graças Firmino Pereira, 55, é auxiliar de enfermagem há 30 anos, 27 deles dedicados ao Centro Obstétrico da Santa Casa de Franca. Vilma estima já ter acompanhado o nascimento de cerca de 350 na profissão. Gêmeos, prematuros e bebês com as mais variadas histórias cruzaram seu caminho. Para ela, todas as crianças são como filhos “postiços”.
Algumas mães mantêm contato até hoje com Vilma, que viu os bebês crescerem e se tornarem adultos. “Elas se sentem gratas quando ajudo nos primeiros dias de vida. Eu auxilio no primeiro banho, na primeira vez que amamentam e em todos os primeiros momentos dos bebês. Fico muito emocionada com o que vejo”, disse Vilma que, dos dez partos diários que a Santa Casa costuma fazer, auxilia em pelo menos quatro.
Apaixonada pela profissão e por crianças, Vilma nunca se imaginou fazendo nada diferente em sua vida. “Eu trabalho com gosto e amor. Nada me faz mais feliz que ver uma mãe com seu filho nos braços pela primeira vez em sua vida”. Mãe de Fabiana, 35, Danilo, 32, e Carlos Mateus, 27.
A enfermeira fez laqueadura após o nascimento do segundo filho. Mas, pelo que ela atribui a um “milagre de Deus”, foi surpreendida com uma terceira gestação que, assim como as outras, foi tranquila. “Não senti nenhum tipo intenso de dor, tanto que, no primeiro parto, vim de ônibus para a Santa Casa”, disse, aos risos.
Porém, sua vida não lhe preparou apenas a agradável surpresa de ser mãe novamente e de se dedicar à enfermagem. Em 2003, foi diagnosticada com câncer de garganta e os médicos lhe deram poucas esperanças na ocasião. “Passei por quatro cirurgias e diziam que eu só tinha um mês de vida”. Ela iniciou o tratamento quando ainda trabalhava na Santa Casa e no São Joaquim Hospital e Maternidade.
Por conta do tratamento precisou se afastar dos empregos e quando foi informada que teria de se submeter à uma quinta cirurgia, preferiu não fazer o tratamento de quimioterapia. Ela assinou um termo afirmando sua desistência, mas afirma que está curada.
“Nem os médicos explicam o que aconteceu. É uma questão de fé e ter amor em tudo que se faz, assim como o que sinto pelo que faço e posso proporcionar às pessoas. O amor cura tudo”.
Trajetória de luta e superação
No dia 24 de setembro do ano passado, quando Elias nasceu, no quinto mês de gravidez, poder passar esse Dia das Mães com o terceiro filho em seus braços era uma dúvida para a costureira Luciana Maria Carvalho Melo. Uma dúvida que a acompanhou por muitos meses. Meses marcados ao mesmo tempo pela angústia de não ter o filho em casa e pela fé.
Hoje, todas as vezes que abraça o pequeno Elias, de apenas sete meses, Luciana não esconde a felicidade. Ela diz que a sobrevivência de seu bebê a fez ver que é possível superar limitações.
A gravidez, que se encaminhou tranquilamente até o início do quinto mês, teve um desfecho diferente. “Desenvolvi uma bactéria dentro da bolsa e isso antecipou meu parto”, disse Luciana.
Elias nasceu com apenas 695 gramas e 33 centímetros. Após o parto prematuro, enfrentou quatro meses e meio de internação na Santa Casa. “Precisei retirar o útero por complicações e tive muita dor. Mas nada doía mais que ver o Elias entubado por três meses e depois esperar por mais um mês internado no berçário”.
O bebê sempre teve acompanhamento e presença constante de Luciana, do pai, Nelson Elias de Melo, e dos irmãos Heloísa, 3, e Rafael, 13. Luciana se recorda que foi uma luta árdua para que o bebê sobrevivesse. “Segundo os médicos, até os dois primeiros meses, ele poderia morrer a qualquer momento”, disse.
Hoje, ela dedica seus dias integralmente ao filho. Além do oxigênio que precisa durante parte do dia para conseguir respirar, pois seus pulmões não tinham se formado por completo, o bebê toma uma fórmula especial sem lactose e remédios. Apesar das dificuldades e adaptação à nova rotina, ela se mostra fortalecida. “Ele é forte, eu sei disso. E nada me deixa mais feliz que passar o Dia das Mães com meu bebê e meus filhos”.
Enquanto balança Elias nos braços, Luciana observa um quadro em sua parede que pintou quando o filho estava internado. “As ondas representam o momento que minha família passou. O barco amarelo sou eu, precisando dominar as águas agitadas para continuar nosso caminho. Agradeço por termos conseguido. E sei que preciso continuar acreditando e com força para os próximos desafios que teremos nas nossas vidas”.
Felicidade em dose tripla
Após seis anos de espera na fila de adoção, a comerciante Débora Fernanda Meleti Barbosa, 38, comemorará o Dia das Mães. E em dose tripla. Casada há 15 anos com o também comerciante Reginaldo Barbosa, 43, se tornou mãe de Maicon, de 8 anos, Maria Luiza, 7, e Ana Carolina, 5, em dezembro do ano passado. A explicação? O casal adotou, de uma vez, os três irmãos. “Eles não precisaram de muito esforço para me conquistar. Foi um autêntico amor à primeira vista”, disse ela, emocionada. Assim ela definiu o encontro com as crianças, que moraram por um ano no Recanto do Aconchego. A instituição, que funciona como abrigo para crianças e adolescentes que precisaram ser retirados das famílias pela Justiça, cuidou dos irmãos até que Débora e Reginaldo surgissem em suas vidas.
A princípio, a ideia do casal era conhecer o espaço e fazer parte do Família Acolhedora, programa que permite que passem o fim de semana com as crianças, que depois retornam para o Recanto do Aconchego. Porém, no instante em que Ana Carolina se aconchegou nos braços de Reginaldo, Maicon se aproximou e Maria Luiza a abraçou, a história mudou para os irmãos. “Naquele momento que vi essa cena, enxerguei minha nova família”, disse Débora.
De maio a dezembro, com autorização da Justiça, o casal levou os meninos para casa aos finais de semana. A aproximação logo criou laços. Já no primeiro final de semana com as crianças, Débora ouviu um tão aguardado “mãe”, que a fez chorar. No final do ano, ela e o marido conseguiram a guarda definitiva do trio. “Para quem não tinha nenhum, imagine três filhos? Eles são a alegria das nossas vidas”, disse Débora, acompanhada por Reginaldo, que é somente elogios à mulher. “É uma guerreira e a melhor mãe que os meninos poderiam ter”.
Mesmo com a mudança da rotina, ela diz que estava pronta para isso desde o início. “Todo esforço é válido quando vejo o sorriso deles e a gratidão no olhar de cada um”, disse Débora, que, antes mesmo do Dia das Mães chegar, foi carinhosamente presenteada com um cartão de Maicon. Entre os dizeres, um sublime “Eu te amo”.
Quanto às origens, as próprias crianças preferem deixar o passado para trás para focar no futuro. “Estamos muito felizes”, disse a comerciante.
Amor e dedicação
Quando se casou e iniciou os planos de constituir sua família, a dentista Geisa Cristina de Andrade, 30, não sabia que já estava grávida. Cinco semanas após ter trocado alianças com o gerente de compras Guilherme Rodrigues Pimenta, fez um teste que confirmou: duas semanas de gestação. Após um exame mais detalhado, descobriu que esperava gêmeas. A reação foi a melhor possível e Geisa recorda com carinho da surpresa para ela e o marido. “Meu marido gritou pelas ruas que seria pai de gêmeas. Estava radiante e eu também. Elas são a maior felicidade que eu poderia sentir”.
Mas depois da surpresa, Geisa teve uma complicação: com 14 semanas de gravidez, precisou fazer uma cirurgia às pressas por conta de apendicite. “Quando me disseram que corria o risco de abortar por conta do procedimento, entrei em desespero e chorei muito. Foi algo inusitado, bem como a gravidez, mas sabia que Deus me ajudaria a superar esta complicação e, em breve, estaria com minhas bebês”, disse, emocionada.
Após uma cirurgia bem-sucedida, Geisa iniciou os preparativos para o nascimento das filhas: Sara e Laís. “A gente quis escolher nomes fortes e curtos”.
As meninas completaram seis meses e são seu maior motivo para sorrir. “Nem se pensar no passado, me imagino com só uma filha. Eu só sei ser mãe de duas”.
No próximo mês, Geisa retornará ao emprego após as férias e o período de licença-maternidade. E com preocupações. Ela viaja diariamente para Cássia (60 km de Franca), onde trabalha como dentista da Prefeitura. Sara e Laís serão cuidadas pela mãe de Guilherme e por duas funcionárias.
Mãe de primeira viagem, a dentista terá emoções mistas em seu Dia das Mães. Será a primeira vez com suas filhas e a primeira sem sua avó materna, que faleceu na semana retrasada. “Para mim, é triste passar sem minha avó, mas, ao mesmo tempo, é uma benção porque tenho as minhas meninas. Nada pode fazer uma mulher mais feliz que o amor de seus filhos”.
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