Nove pessoas morreram afogadas somente este ano


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A morte por afogamento dos jovens francanos Matheus Ferreira e Richard Lucas, no feriado do dia 1º de Maio, trouxe à tona a preocupação em relação aos riscos existentes em passeios e banhos em represas, rios, cachoeiras e ribeirões na região. Nove pessoas morreram afogadas em cidades próximas a Franca somente neste ano. O levantamento é baseado nas notícias publicas pelo Comércio entre janeiro e 5 de maio deste ano (veja quadro). Para os bombeiros e profissionais da área, as causas estão ligadas ao consumo de bebidas alcoólicas e à imprudência.
 
Eles alertam que, diferente de piscinas, onde a água é mais clara, o fundo é conhecido e não há correnteza, rios e represas são locais que exigem mais cuidados antes de se aventurar em mergulhos e saltos. “É importante conhecer o local onde você está. Em rios há desníveis, pedras, a água é turva e existe correnteza. Se não conhece o lugar onde está entrando, tem que ter cuidado redobrado”, disse Marco Davanço, 45, guarda-vidas há mais de 25 anos.
 
Davanço também orienta que é importante evitar brincadeiras e movimentos que podem resultar em acidentes. “Dar saltos em cachoeiras sem saber a profundidade do local onde vai cair ou subir em cima do ombro do amigo dentro da água são práticas perigosas. Às vezes, o rapaz que está na frente está afogando e o amigo que está brincando não consegue ver”. Para evitar qualquer preocupação, o guarda-vidas orienta sempre entrar na água usando boia ou colete salva-vidas.
 
Essa orientação é reforçada pela professora de natação e coordenadora da Academia Mergulho, Rosana Miron, 50, que também alerta para o uso dos ítens de segurança  em botes e lanchas. “É inadmissível entrar em qualquer embarcação sem um colete ou boia. E devem ser adequados ao peso e à altura da pessoa. Não adianta nada colocar duas boias pequenas em uma criança de 40 quilos”, afirma.
 
Para ela, os riscos de se sentar em barrancos na beira do rio, prática frequente de pescadores, também são muito grandes. “A parte debaixo do barranco está comprometida por estar em contato com a água, é muito perigoso”. 
 
Outras orientações envolvem a supervisão constante de adultos com crianças nesse tipo de passeio, além de não consumir bebidas alcoólicas durante banhos em rios e represas. “O álcool  deixa a pessoa sem reflexos, atrapalha toda a condição de equilíbrio. Se acontece um acidente e você está sóbrio, tem mais chances de pedir socorro ou retomar o controle”.
 
O que fazer
E se acontecer algum acidente, como agir? O guarda-vidas e a professora orientam sempre seguir o curso da correnteza, sem tentar nadar contra. “O mais adequado é tentar seguir com a correnteza até que ela te jogue para uma das margens do rio. Apesar do desespero que dá no momento, a pessoa deve tentar se agarrar em algum pedaço de madeira ou pedra, mas nunca lutar contra a água”, disse Davanço, enquanto Rosana enfatiza que não se deve tentar resgatar ninguém pulando na água também. “A gente lança um pedaço de madeira, corda, algo flutuante. Em hipótese alguma devemos tentar salvar quem caiu”.
 
Por fim, os dois profissionais reforçam a importância de frequentar rios e cachoeiras com responsabilidade e prevenção. “Procure ficar na margem do rio, sem ir para o fundo. A água não deve passar da cintura”, disse o guarda-vidas. “As pessoas devem se conscientizar e parar de achar que só acontece com o vizinho”, disse Rosana.
 

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