O gravador


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A tecnologia destina-se a servir o homem. Desde os primórdios, serviu para facilitar e aumentar a produção, diminuir o esforço e dar conforto ao ser humano. No Brasil de hoje, gravação de todos os tipos são a tônica. A maioria dos escândalos tem registros gravados como contraprova. 
 
A gravação eletrônica surgiu ao final do século 19, mas os equipamentos eram de grande porte. Para gravar conversas era necessário levar pessoas a um determinado local. Com o transistor, em 1951, aconteceu a grande revolução: redução continuada de aparelhos. Hoje, tecnologia digital e informática geraram microgravadores acoplados a canetas, chaveiros, relógios e botões de roupas com capacidade para captar som e imagem até em alta definição. Também vieram câmeras de monitoramento, gravação da telefonia e outros recursos hoje popularizados.
 
A chegada destes portáteis massificou o hábito de gravar. Políticos foram gravados e tiveram o mandato cassado com base no que disseram. No mundo empresarial usa-se gravações sigilosas como meio de segurança. O equipamento vai no bolso. Supõe-se que a maioria do que se grava seja desprezado por conta de acordos cumpridos. Se não, formam-se escândalos, denúncias, processos, delações etc. 
 
Para o bem da sociedade e o mal dos ladrões do dinheiro público ou dos farsantes à mesa de negócios, a tecnologia funciona como freio. Sabendo que podem ser gravados, os envolvidos tomam cuidado e até deixam de cometer irregularidades por temerem escândalo e consequências. Em razão da falta de ética e de princípios de muitos, o gravador se torna importante agente de saneamento da sociedade. Oxalá o aparelhinho, em suas diferentes vertentes seja suficiente para inibir a ladroagem e a malversação do dinheiro público e a inconformidade no mundo dos negócios. 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista

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