Antes de tentarmos responder a questão de se estamos, como sociedade, preparando adequadamente nossas crianças no sistema educacional, precisamos refletir sobre outra questão cuja resposta impacta diretamente o primeiro debate e que, portanto, precisa ser respondida antes.
Para fazer a pergunta certa, vamos considerar o seguinte. Segundo Richard Buckminster Fuller (1895 -1983), até 1900 o conhecimento humano dobrou aproximadamente a cada século.
De 1900 até o final da Segunda Guerra Mundial, aconteceu a cada 25 anos. Hoje, o conhecimento humano dobra a cada 13 meses. E, de acordo com a IBM, a chegada da ‘internet das coisas’ vai levar à duplicação do conhecimento a cada 12 horas.
Com base nisso, a única resposta honesta que podemos dar à pergunta ‘como será o mundo daqui a cinco anos?’ é ‘não fazemos ideia’.
As coisas estão mudando em um ritmo cada vez mais rápido, de modo que é muito difícil — senão impossível — prever como será este mundo daqui a cinco ou dez anos.
Ora, uma criança que ingressa hoje no sistema educacional estará formada, se tudo correr bem, por volta do ano 2035. 2035! E nós a educamos com base em uma grade curricular inadequada e antiquada, que visa mera transmissão do conhecimento.
Então, a pergunta a ser feita — e respondida — é: ‘para que mundo estamos preparando nossas crianças?’ A única e honesta resposta, por mais assustadora que seja, é ‘não fazemos ideia’.
Neste contexto podemos concluir que é muito mais importante ensinar as crianças a aprender, a pensar e a resolver problemas, do que obrigá-las a acumular um conhecimento que será em grande parte, obsoleto quando elas estiverem finalizando a formação acadêmica.
A mente humana não foi feita para acumular conhecimento, mas para processar informações e gerar ideias. Nosso sistema educacional precisa refletir sobre isso.
Marcos Mayer
Consultor em criatividade e inovação, publicitário, palestrante
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