Trânsito assassino


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Uma das questões que exigem resolução urgente no Brasil, hoje, é a violência do trânsito, que mata mais de 80 mil pessoas por ano, um número bastante superior ao registrado em conflitos armados. Lá no Oriente Médio e em alguns países da África, fazem-se vítimas com bombas, morteiros, granadas e armas de grosso calibre. Aqui no Brasil, automóveis (caminhões, carros e motocicletas) tornam-se armas nas mãos de motoristas irresponsáveis e imprudentes, os quais não se preocupam com a própria vida e muito menos com as vidas de terceiros, que vão sendo ceifadas em nossas ruas e estradas.
 
Na noite da última quarta-feira, o atropelamento seguido da morte de uma mulher de 68 anos, colhida quando atravessava a avenida Presidente Vargas pela faixa de pedestres, causou enorme comoção. A notícia, no portal GCN (acompanhada pelas imagens de um vídeo de segurança que flagrou o acidente), provocou um grande número de comentários, numa discussão envolvendo a questão que a polícia pretende desvendar: o ônibus atravessou o sinal vermelho ou não? Só para relembrar a história: Rosária Francisca de Oliveira foi atropelada por um ônibus de turismo enquanto atravessava a avenida pela faixa de pedestre. Pelo vídeo, vê-se que o ônibus, com placas de Orlândia, aparece repentinamente e, sem sinal de que iria parar, atropela a mulher que chegava ao canteiro central da via.
 
O que se deve discutir neste caso é a legislação brasileira. E as normas de trânsito são claras: o pedestre tem a preferência na faixa, independente do semáforo ou não. O que se vê em Franca é um flagrante desconhecimento das leis. A faixa de pedestres não é respeitada e muitas vezes os carros a invadem, impedindo quem anda a pé de atravessar a rua. Em Franca, frequentemente o sinal de parada obrigatória é desconsiderado, o que causa uma série de colisões e atropelamentos. Nesta última semana, várias delas foram noticiadas pelo Comércio, fato reincidente em praticamente todos os dias do ano. Além disso, condutores ainda ignoram que o sinal amarelo deve ser reconhecido como um alerta de que o vermelho vai se acender e não como autorização para pisar no acelerador e avançar.
 
Outro ponto que deixa o trânsito em Franca bastante caótico, além dos condutores que assumem o volante após ingerir bebidas alcoólicas, é a não utilização de setas. O motorista francano já está ficando conhecido por não acionar o sinal luminoso do veículo que conduz ao fazer conversão, tendo se tornado até motivo de piadas nas redes sociais. As estatísticas mostram que, em todo o País, a maioria dos acidentes é provocada pela imprudência do condutor. Poucos são motivados por falha mecânica e, ainda quando tal acontece, o acidente deriva do próprio desleixo do proprietário na manutenção de seu veículo. Caso nossa legislação fosse mais rigorosa, com certeza o número de acidentes e mortes no trânsito seria reduzido. Mas é preciso, antes de mais nada, que o condutor— motorista, motociclista ou ciclista — se conscientize de sua própria responsabilidade para com a sua integridade pessoal e a de terceiros. Isso é essencial para reverter o quadro das mortes por acidente de trânsito no País e especialmente em nossa cidade. 
 
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