Ponto de interrogação.
Encruzilhada.
Labirinto.
Pântano.
Eu me agarraria agora
A qualquer palavra,
sinal gráfico, expressão,
verbo ou substantivo.
Qualquer coisa que explicasse ao
menos essa confusa sensação de fim.
essa vontade de não ter mais vontade.
A falta do que jamais tive.
Abundância de miséria.
A palavra é curta.
Não consegue encerrar
essa coisa que começa
dentro e se expande
a ponto de, rapidamente,
já não caber no universo.
Coisa que, na verdade, é nada
Anulação de toda criatividade.
O caos.
Angústia do não
que deseja ser sim
mas não chega sequer a talvez.
No princípio... a Terra
estava vazia”
No princípio.
A poesia.
Vazia.
Não pode ser!
O universo inteiro acontecendo,
milhões de galáxias cumprindo
sua trajetória existencial,
e eu aqui, desenhando vocábulos.
Tão somente para justificar
o que faço aqui.
Como se o universo todo
exigisse de mim uma explicação.
O caos está no fato de que
as palavras escritas
ao invés de explicar, confundem.
Bom, pelo menos desenhando palavras
e chamando a isto poesia
o amargo da vida fica mais palatável.
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