Flagelo de Deus


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Crônica de Hélio Schwartsman (Folha de S. Paulo, “Opinião”, 28 de abril último), sob o título acima, afirma que são inconciliáveis os flagelos naturais, como o terremoto no Nepal, com a ideia de um Deus onisciente, onipresente e benevolente. E que tais eventos são desafio aos religiosos, que os consideram problema da justiça divina (teodiceia), quando os sismos, que provocam tanto sofrimento humano, são, na verdade, resultantes da movimentação de placas tectônicas. 
 
Sugere, por isso, a seguinte alternativa: ou Deus é bom, mas não é poderoso, ou é poderoso, mas não é bom. 
 
São conceituações que, por certo, impressionam aqueles que, ainda submissos a preconceito, não se dispõem a pesquisa séria. Material há, porém, que bem pode esclarecer por raciocínios lógicos e conclusivos. 
 
Quanto ao sofrimento da Humanidade diante dos desastres coletivos, o Espiritismo e a mesma ciência que destituiu o céu como região bem-aventurada mas circunscrita, integrando-o ao espaço infinito, posicionam-se a favor de que paz e aflição (céu e inferno), nada mais são que um estado de alma. Este, sim, pode determinar que nos agrupemos, em nome da lei de afinidade, ou de sintonia vibratória, até mesmo para expiação e provas.
 
Mas, não olvidemos que o aspecto misericordioso da justiça divina está no “sejamos bons e seremos felizes”, ou “harmonizemo-nos com os desígnios das supremas leis e nos estarão garantidos a segurança e o bem-estar”.  A Terra, como tudo no Universo, é uma máquina perfeita que requer cuidado. Se violada em seu funcionamento, o defeito provocado pode manifestar-se em forma de trancos perturbadores da vida que abriga. Contudo, preferimos cultuar o ouro. Continuamos desmatando e secando rios, extraindo petróleo (substituível) e movendo placas tectônicas. Causa e efeito. Ação e reação. Tal a lei da Natureza, ou divina, se se preferir.  
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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