Quase 8 milhões sem emprego


| Tempo de leitura: 2 min

Enquanto o governo federal insiste que a aprovação das medidas de ajuste fiscal serão capazes de reverter a crise econômica do País, restringindo a concessão de benefícios trabalhistas (como o seguro-desemprego e a pensão por morte, entre outros), o mercado de trabalho continua andando para trás, de acordo com os números apurados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgados anteontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao contrário do que aponta a pesquisa do instituto que contempla apenas as regiões metropolitanas, o levantamento coleta informações em quase 3,5 mil municípios brasileiros, mas ainda não afere o contingente daqueles que não trabalham ou não procuram emprego.

Conforme a Pnad Contínua, a geração de postos de trabalho no primeiro trimestre de 2015 foi insuficiente para absorver todo o contingente de trabalhadores que passou a buscar um emprego. Com isso, a taxa de desemprego subiu para 7,9% em todo o País no período. É o maior nível desde os 8% registrados no primeiro trimestre de 2013. No quarto trimestre do ano passado, o índice estava em 7,2%. A desaceleração no mercado de trabalho foi intensa entre o fim do ano passado e o começo deste ano. Na comparação com o quarto trimestre de 2014, não foram abertas sequer novas vagas, pelo contrário. O contingente de desocupados aumentou 23%, o equivalente a 1,5 milhão de pessoas no período. No fim de março, a população desocupada somava 7,934 milhões de pessoas.

Os dados do IBGE mostram que, no Estado de São Paulo, o cenário piorou de maneira mais intensa, e a taxa de desemprego chegou a 8,5% no início do ano. Os dados conjunturais para as 27 unidades da Federação foram anunciados pela primeira vez pelo órgão, um passo classificado como “histórico” por dirigentes do IBGE. E, ao contrário do que tenta mostrar o governo, a situação ainda deverá ficar mais difícil nos próximos meses, uma vez que a indústria automobilística tem reduzido os turnos, parando parte da produção e concedido férias coletivas. Caso a venda de automóveis não reaja, mais demissões podem ser anunciadas.

O número apurado no Estado de São Paulo é preocupante, na medida em que a taxa de desemprego atinge em cheio o maior polo industrial do País. A retração causa um efeito cascata em todo o setor produtivo, atingindo ainda as áreas de varejo e serviços. Antes de um ajuste fiscal, seria necessário que o governo traçasse uma política dirigida aos setores industrial e agropecuário (este também bastante afetado pela crise), o que impactaria de forma positiva os demais componentes da economia brasileira. Faltam não apenas incentivos, mas também políticas voltadas ao comércio exterior e à concessão de crédito em condições privilegiadas através de agências de fomento, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Só assim os setores produtivos brasileiros terão condições de retomar a plena capacidade e criar as vagas de empregos que hoje estão sendo fechadas.

email opiniao@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários