Teimosia prejudicial


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Milhares de francanos e milhões de paulistas acompanham, impotentes, a teimosia do prefeito Alexandre Ferreira e do governador Geraldo Alckmin (ambos do PSDB), que insistem em não negociar com as categorias em greve (servidores no município e professores no Estado). Com isso, acabam prejudicando justamente aqueles que os elegeram para cuidar de seus interesses. A população francana vê o movimento superar os sessenta dias, período no qual milhares de estudantes estão sem aulas e outro tanto, justamente os mais carentes, sofre ainda mais pela precariedade do atendimento médico prestado pelo serviço público de saúde. As reclamações, que já eram muitas envolvendo Unidades Básicas de Saúde e Pronto-socorro, cresceram bastante durante estes dois meses em que os servidores públicos travam uma queda de braço com o prefeito por causa do valor do cartão alimentação.

A situação fica ainda mais difícil quando se sabe que a greve dos professores do Estado, pelo menos por aqui, praticamente paralisa as aulas do ensino público. O governador recusa-se a conversar com a categoria e negociar um acordo, prejudicando o ensino público do Estado, que não tem registrado bons números de aproveitamento, pelo menos de acordo com rankings oficiais. Quando há aula, criticam pais e os próprios professores, os alunos são submetidos a professores temporários ou sem a formação necessária para manter o nível de aproveitamento. É uma situação que precisa ser resolvida, uma vez que os quase dois meses de paralisação nos estabelecimentos do Estado já prejudicaram totalmente o ano letivo, o que ocorre também em Franca.

As aulas não dadas durante o movimento reivindicatório terão que ser repostas, o que comprometerá as férias (do meio e do final de ano), já que a lei determina um número mínimo de horas/aula por ano letivo. Desta forma, os estudantes terão que comparecer às escolas em momentos que deveriam estar descansando, o que trará prejuízos até ao núcleo familiar, uma vez que muitos pais e mães buscam fazer coincidir o período de férias no trabalho com o dos filhos. O pior de tudo é que a teimosia de Alexandre Ferreira e Geraldo Alckmin, atitude que ambos aparentemente confundem com persistência, certamente terá consequências futuras que devem ser consideradas.

Aos entes públicos, como os administradores e legisladores que conseguem seus mandatos através do voto, deve-se exigir transparência, honestidade e, acima de tudo, respeito. No caso destas duas greves, as categorias que paralisaram seu trabalho e também a população estão sendo desrespeitadas. É preciso saber transigir diante de situações-limite, negociar quando se faz necessário, e buscar soluções rápidas que não prejudiquem a maioria. Deixar o movimento se estender por tanto tempo, sem se preocupar com os que mais necessitam dos serviços públicos, é imperdoável. Fechar os olhos e simplesmente imaginar que o problema não existe é a pior forma de resolvê-lo. Os paulistas em geral e os francanos em particular esperam mais de seus governantes. Já é hora de eles mostrarem que se interessam pela população que está sendo prejudicada.

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