Prefeitura desconta dias parados de servidores


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Servidores em greve mostram holerites com desconto, durante manifestação ontem em frente à Prefeitura. Sindicato da categoria afirma que movimento continua
Servidores em greve mostram holerites com desconto, durante manifestação ontem em frente à Prefeitura. Sindicato da categoria afirma que movimento continua

Os servidores públicos em greve tiveram os dias parados descontados de seus salários. Com o holerite liberado ontem, muitos chegaram a receber a folha de pagamento com valores mínimos, entre R$ 2 e R$ 5. A maioria teve 23 dias descontados.

Na manhã de ontem, os servidores aguardavam em uma fila para retirar o holerite na Prefeitura. A Guarda Municipal controlava a entrada, liberando grupos de cinco pessoas. Não houve tumulto.

“Não teve nenhum acordo, então a Prefeitura não podia ter feito esse desconto, ainda mais de maneira integral. Poderá haver a reposição do dinheiro com folha complementar neste mês”, disse o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Luís Fernando Nascimento. Ele ressalta que possivelmente o cartão alimentação dos grevistas, previsto para ser pago no dia 10 de maio, também não seja liberado pela Prefeitura.

Apesar desta questão, Nascimento orienta que os servidores mantenham a paralisação e compareçam aos protestos.

Segundo o advogado do sindicato, Denílson Carvalho, estão sendo estudadas as medidas cabíveis diante dessa ação da administração municipal. “O sindicato repudia essa atitude arbitrária e ilegal dos descontos. A Prefeitura se antecipou, já que não houve uma decisão final da Justiça, e pode ter que reparar os danos”, afirmou o advogado.


A atitude também foi considerada pelos servidores um desrespeito em relação à categoria, causando indignação. “Isso mostra o quanto o prefeito (Alexandre Ferreira) não sabe administrar, o desconto é mais uma das artimanhas dele e esse dinheiro vai fazer falta para a gente”, disse o escriturário Muriel de Paula, 23.

A atitude já estava prevista, uma vez que o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) afirmou que a Prefeitura não era obrigada a pagar os dias não trabalhados. Em 30 de maio, o desembargador João Alberto Alves Machado negou a liminar pedida pelo Sindicato dos Servidores para evitar descontos na folha de pagamento.

Mesmo estando cientes que o desconto pudesse acontecer, os servidores esperavam que fosse feito de forma parcelada. “Descontou 23 dias, reduziu quase todo meu salário, recebi R$ 159, enquanto era para vir R$ 1.328. Não achava que fosse tirar assim de uma vez”, disse a merendeira Francisca Silveira Pereira, 65.

Apesar disso, os servidores não pensam em desistir do movimento grevista e têm esperança de que a Prefeitura devolva o dinheiro deduzido. “Pretendo continuar até o fim e também começar iniciativas para arrecadar dinheiro para os que receberam menos, com bazares e venda de pizzas”, afirmou a educadora Lívia Dias, 38.

Os servidores relatam que os descontos variaram entre as pessoas, sendo que alguns não tiveram nenhuma redução no salário, mesmo participando do movimento. “Não entendemos o critério da Prefeitura para aplicar os descontos e achávamos que o desconto seria feito em cinco parcelas”, disse a professora Maria Aparecida Faleiros, 47.

Está programada para hoje mais uma concentração na frente do Paço Municipal, às 8 horas. Na manhã de ontem, cerca de 200 pessoas compareceram ao local para protestar.

Prefeitura se cala
A reportagem do Comércio entrou em contato com a Prefeitura de Franca para obter informações sobre o desconto efetivado, porém, não houve retorno.

A reportagem conversou pelo celular com o secretário de Recursos Humanos, Humberto Mazza, que disse que as perguntas deveriam ser enviadas para a assessoria de imprensa. Foram enviados e-mails, que tiveram seu recebimento confirmado, mas nenhuma resposta foi dada até o fechamento desta edição.
 

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