PM é chamada para conter protesto das bananas na Câmara


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Primeiro, foi o panelaço. Depois, o enterro simbólico. Também teve a distribuição de pizza e a sessão da paz. Ontem, os servidores municipais simularam a feira do rolo na Câmara. Levaram frutas, verduras e legumes para o plenário. Muitos usavam o tradicional jaleco dos feirantes. “Aqui, vende-se de tudo: o silêncio, secretarias, cargos e, até, o caráter”, dizia um cartaz.

Foi a maneira que encontraram para protestar contra os vereadores que aprovaram o projeto que atropelou as negociações com a categoria. Foi, também, uma ironia a Luiz Vergara (PSB), que admitiu ter aceitado assumir o cargo de líder do prefeito na Câmara em troca de duas secretarias e cargos.

Os servidores distribuíram bananas, maçãs, abacaxis, laranjas e melancia no plenário. O presidente Marco Garcia (PPS) não gostou e chamou a polícia. Em poucos minutos, nove policiais militares chegaram ao plenário e ficaram de prontidão até o fim da sessão. “Abri a sessão e pedi que os servidores ficassem em silêncio. Estava um panelaço, um apitaço, era impossível de alguém entender o que estava se falando. Como não respeitaram, pedi o apoio da polícia”, disse.

A presença ostensiva dos policiais causou indignação nos servidores e em vereadores. Daniel Radaeli (PMDB), que é delegado da Polícia Civil, foi à tribuna e criticou a medida. “Os servidores não representam perigo. Respeito a instituição Polícia Militar, mas deveriam estar na rua combate o crime. Tem muito serviço na rua”, afirmou.

O capitão Alfredo, comandante da 1º Companhia da PM, responsável pela área da Câmara, esteve entre os policiais que permaneceram no plenário durante toda a manhã. “Atendemos à solicitação do presidente para garantir os trabalhos e a segurança dos manifestantes também”.

O oficial disse que o deslocamento de nove policiais para acompanhar o protesto não prejudicou o policiamento preventivo na cidade. “Os policiais não foram retirados das ruas. É o pessoal que trabalha no interno e o pessoal que vai entrar de serviço. Como estávamos em reunião, deslocamos para cá.”

O presidente do Sindicato dos Servidores, Fernando Nascimento, disse que não havia necessidade de o presidente da Câmara chamar a polícia. “Que risco os servidores estão provocando? Estávamos ‘armados’ apenas com bananas. Estamos parados há 37 dias e não houve o registro de um único boletim de ocorrência por causa de briga ou confusão. Lutamos pelos nossos direitos pacificamente.”

Não foram registrados incidentes durante a sessão e os policiais não precisaram agir. Ao final dos trabalhos, alguns deles posaram para fotos ao lado dos servidores.
 

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