O Conselho de Ética da Câmara se reuniu na quinta-feira, às 15 horas, para apresentar o relatório final com a punição a ser aplicada ao vereador Luiz Vergara (PSB), que na sessão do dia 3 de março deu um tapa na cara de um cidadão dentro do plenário. Foi prometido em público que jornalistas receberiam cópias do documento no mesmo dia. Mas, Jépy Pereira (PSDB) não apareceu e a reunião foi adiada para ontem. Desta vez, Jépy foi. Só faltou o relatório. “Ainda não está pronto”, alegaram os integrantes do órgão.
A desculpa não convenceu ninguém. Diferentes fontes que tiveram acesso ao documento confirmaram ao Comércio, na quinta-feira, que o relatório havia sido concluído e previa uma suspensão de 60 dias a Luiz Vergara sem direito a receber salários no período.
O que aconteceu durante o feriado prolongado, para que o relatório final voltasse à condição de não concluído ontem, é um mistério.
Nos corredores da Câmara, duas versões são cogitadas. A divulgação da punição poderia inflamar os servidores e colocar fogo na sessão de hoje. A categoria segue em greve e voltará a protestar no plenário. A outra hipótese é a forte pressão que assessores do prefeito fazem aos integrantes do Conselho para aliviar na punição. Um gancho pesado vai refletir ainda mais negativamente no governo, afinal de contas, Vergara é o líder e detém a confiança de Alexandre.
Antes de avisarem os jornalistas que a divulgação da decisão foi empurrada para o final da tarde desta terça-feira, quando vence o prazo final para a apresentação, Pastor Otávio (PTB) e Donizete da Farmácia (PSDB) se reuniram a portas fechadas no gabinete de Jépy. Quando saíram, coube ao Pastor, que é presidente do Conselho, tentar explicar por que o anúncio da punição foi adiado pela segunda vez. “Ainda não batemos o martelo. Não está havendo consenso entre nós em relação à possível punição que será aplicada ao vereador. Minha luta é para que não tenhamos três relatórios, pois cada um está vendo de uma maneira”, disse.
Pastor é favorável à suspensão por 60 dias. Donizete ficaria feliz se o afastamento fosse pela metade deste tempo. Após Vergara votar contra projeto de seu interesse, Jépy teria passado a dizer para vereadores que opinaria pela cassação, mas poucos acreditaram. “O interesse dele, na verdade, é que não seja dada nenhuma punição”, afirmou uma fonte próxima.
Pastor Otávio afirma que não vai prorrogar “em hipótese alguma, nem um minuto a mais, o prazo que vence às 17 horas. Ele disse que não aceitará uma pena branda. “Se o doutor Jépy e o Donizete opinarem apenas pela advertência, eu vou propor a cassação”, afirmou.
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