Terreno do Jardim Líbano vira lixão a céu aberto


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Sofás, restos de construção e pneus com água se acumulam em área desocupada no Jardim Líbano e aumentam o risco de dengue
Sofás, restos de construção e pneus com água se acumulam em área desocupada no Jardim Líbano e aumentam o risco de dengue
Franca, Jardim Líbano, 29 de abril de 2015, 11 horas. Olhares curiosos percorrem o cenário em busca de uma área que não esteja tomada pelo lixo e pelo mau cheiro no ar. O inóspito terreno da rua Piauí que provoca revolta pela sujeira espalhada é só mais uma parte de Franca tomada pelo lixo. E fica pior: em meio a tantos dejetos, enquanto pessoas e cachorros buscam objetos e até alimento, surge um despretensioso casal em um carro para despejar ainda mais lixo naquela região do Jardim Líbano, já assolado pela sujeira. Ignoram a presença das pessoas e despejam galhos de árvore no local.
 
Morador do bairro, o enfermeiro João Pedro Alves Júnior elenca os problemas na ampla área desocupada do bairro. “Não dá nem para contar a quantidade de baratas e ratos por conta do lixo. Tem restos de comida, pneus com água parada, animais mortos, móveis quebrados e todo tipo de sujeira que se imaginar. Quando reclamamos para a Prefeitura, não temos retorno. Já liguei várias vezes e transferiram para outros ramais, que só chamam e, em seguida, desligam”, disse, após ressaltar que está a situação está “insustentável e com foco de dengue”.
 
O técnico em contabilidade Jorge Dimas, também morador do bairro, narra o drama vivido na região. “Está difícil. Quando catadores ateiam fogo, fica insuportável. Essa queimada é o que mais incomoda, pois suja a casa e prejudica o ar que a gente respira. A Prefeitura vem, limpa e enquanto os funcionários ainda estão trabalhando, lá está o pessoal jogando lixo outra vez”, disse.
 
Discurso semelhante tem Jair Clementino. Funcionário da Prefeitura há mais de 30 anos, ele é um dos responsáveis pela limpeza no antigo ponto de transbordo do Jardim Líbano e destaca que o trabalho é feito até duas vezes na semana se o local estiver com muito lixo. “A equipe é reduzida para cuidar da cidade inteira e limpamos porque não param de sujar. Eu oriento, falo que é proibido e peço para não jogarem, mas é impossível. Fora os pneus espalhados e o perigo de dengue. Ninguém respeita não”, disse ele. 
 
A reportagem do Comércio esteve no bairro na quarta-feira e flagrou pneus com água parada, sofás, pedaços de móveis, sacos de lixo e até animais mortos jogados no terreno. Na mesma data, entrou em contato com a Prefeitura para relatar os problemas enfrentados pelos moradores. Na tarde de quinta-feira, equipes da Secretaria de Serviços e Meio Ambiente estiveram na área transformada em lixão para fazer a limpeza. “Só hoje (quinta-feira), usei o caminhão lotado 20 vezes para retirar o lixo só aqui neste ponto do Líbano. Fora o de outros bairros que tem terrenos em estado semelhante”, disse Jair.
 
Respostas
Em 2011, o Ministério Público recomendou e a Prefeitura suspendeu o uso dos pontos de transbordo de Franca, que eram os terrenos próprios para jogar os restos de materiais de construção. Na ocasião, o órgão descumpriu o acordo porque os locais, chamados de Ecopontos, deveriam ser cercados com alambrados e ter caçambas para o armazenamento do lixo, mas não estavam nessas condições.
 
A Prefeitura teria também a responsabilidade de fiscalizar os locais para que nenhum outro tipo de resíduo fosse jogado nessas áreas. Com a medida do MP, os carroceiros e a população estão até hoje sem onde jogar os materiais recolhidos e têm utilizado este argumento como justificativa para poluir. “A Prefeitura limpa toda semana e deixou a gente usar essas áreas. Quando não autorizarem mais, aí precisarei de outro lugar. Mas acho que deveriam arrumar um espaço próprio para jogarmos e não prejudicar a cidade”, afirmou Vantuir Araújo, carroceiro que utiliza os terrenos do Jardim Líbano, Tropical e uma área na Vila Rezende.
 
De acordo com o secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, a Prefeitura limpa os terrenos que se tornaram lixão para manter a cidade limpa, mas não pode autuar quem joga lixo se não tiver provas. “Não existe mais ponto de transbordo na cidade. Não autorizamos ninguém a depositar resíduos em áreas públicas. A legislação municipal proíbe terminantemente esta prática. O lugar virou um lixão a céu aberto porque a população continua jogando dejetos e qualquer material no terreno”, disse o secretário. 
 
Ele pede a colaboração dos munícipes, para que anotem a placa do carro das pessoas que estiverem jogando resíduos, tirem fotos e acionem a Guarda Civil pelo telefone (16) 3724-1033. Ismar afirmou ter um projeto em andamento para cercar os terrenos utilizados como lixão e fiscalizar as áreas. “Ainda estamos aguardando uma resposta sobre o investimento e como será conduzida esta solução que encontramos”, disse.
 
O promotor do Meio Ambiente, Fernando de Andrade Martins, foi procurado para comentar o caso, mas disse que o assunto deveria ser tratado com o secretário Ismar Tavares.
 
Dengue
Os pontos com focos de dengue reclamados pelos moradores também receberão atenção. Segundo o diretor da Vigilância Sanitária, José Conrado Netto, a população deve contribuir e alertar o setor para que uma inspeção seja feita e os focos de água parada sejam removidos. “Precisamos ser notificados para que o controle seja realizado. Qualquer dúvida, a população pode ligar para o (16) 3711-9408 e pedir para que nossos agentes se dirijam ao local”, disse.

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