Delícias a beira mar


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O destaque continua para as ostras de Florianópolis, que parece até um balneário europeu
O destaque continua para as ostras de Florianópolis, que parece até um balneário europeu
A combinação peixe do dia e polvo formavam uma dobradinha indefectível em quase todos os restaurantes. A promessa de peixe fresco do dia, na praia, me é sempre tentadora, acho que o é para muitos que moram tão longe da possibilidade de ter peixe fresco do dia. Mas os tempos são outros e, ou por economia ou por falta de criatividade ou ainda falta de política responsável, o peixe do dia fresco, na maioria dos restaurantes (que visitamos) de Florianópolis, era o globalizado Congrio ou Congro. Vindo do Chile, será mesmo isso?
 
Procurei por aqui, perguntei por lá se estaria havendo um cativeiro de Congrio por ali, disseram que não, nem eu achei qualquer coisa, se alguém souber que me corrija, por favor. Nada contra esse peixe, ele é mesmo animador: altura boa, do meio dele faz-se lombos altos; com as pontas, filezinhos respeitáveis; nadica daquele “gostão” de peixe e a textura recebe bem molhos, crostas, empanações e o que mais quiserem. Mas perder a oportunidade de saborear um peixe pescado à primeira hora da manhã, entregue cheiroso nos restaurantes, trazendo ainda nos líquidos olhos sem pestanas histórias de mar, é realmente frustrante.
 
Ao contrário disso, o destaque continua para as ostras de Florianópolis, parece até que se está em algum balneário europeu, talvez melhor que isso... A bem da verdade é que elas estão em todos os cardápios e são feitas de diferentes modos. Mas há lugares onde você pode saboreá-las tendo, a alguns passos ou braçadas, seu lugar de criação. Falo de um: o vilarejo de Santo Antônio de Lisboa. De origem açoriana, o lugar nasceu parte integrante de uma sesmaria e, embora bem pequeno, de tão bonito, dá bem para se passar um dia inteiro: tem igreja histórica, tem cemitério “convidativo”, praça, sombra, uma bela vista da mata e do mar. Só não tem táxi.
 
Mas é na margem que se pode realmente ser feliz. Bem perto a gente vê as gaiolas de criação das ostras. A petiscaria Sintra, por exemplo, as serve gratinadas ou ao natural. O restaurante tem um deck que fica na areia da praia, o arvoredo acima das cabeças nos faz esquecer do sol, e o vinho branco, perfeito para essa ocasião, é gelado e barato. E o atendimento é aquele usual de todo manezinho: afetuoso. 
 
Mas, antes que termine essa crônica, preciso falar do polvo. Dessa vez fomos ao Rosso, um restaurante dessa mesma margem, mas um pouco mais sofisticado. A tabuleta dizia que é da autoria deles o melhor polvo da ilha, crocante por fora, macio por dentro - os prêmios na parede parecem confirmar a propaganda. Minha filha, agora menos vegetariana, se arriscou com ele empanado na farinha panko. Pois bem: Congrio, polvo, farofa de dendê servidos, fome devidamente alimentada, o mar a nossa frente e um sentimento enorme de gratidão. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Grãos de molho
 
Já vai distante o tempo em que víamos na cozinha os grãos colocados de molho. Lembro-me que minha mãe deixava tudo de molho antes de cozinhar: arroz, feijão, canjica. Hoje, com o processamento dos grãos, perdemos esse hábito por acreditarmos na pureza dos alimentos.
 
Mas não é bem assim. Tenho lido algo sobre ácido fítico e confesso que fiquei meio em dúvida sobre o melhor procedimento. Ocorre que a ingestão de grãos integrais pode levar a um consumo alto e perigoso do tal ácido que é encontrado em quase todos os grãos: painço, grão de bico, feijão, soja, trigo, arroz...
 
As explicações sobre o ácido fítico são contraditórias, dizem que deve haver equilíbrio, como se isso não fosse recomendável para todas as coisas. Alguns dizem que ingerido em poucas quantidades, ele ajuda na prevenção do câncer intestinal e protege o coração. Mas com exagero, impede a absorção de nutrientes essenciais ao organismo. Isso confunde alguns vegetarianos que acabam ficando anêmicos, não pela falta da carne, mas pelo excesso de ácido fítico.
 
Caso você seja um consumidor contumaz de grãos integrais é recomendável deixá-los de molho por 1 dia em água e vinagre.

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