O mundo espírita comemora este ano, 150 anos de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. Publicado em setembro de 1865, em Paris, marcou a fase da visão do Espiritismo do que a humanidade já tinha como Justiça Divina.
Quarta obra na ordem da publicação do pentateuco kardequiano, representa expansão das ideias de justiça, a partir do que, do ponto de vista filosófico, já tratava a quarta parte Parte (‘Das Esperanças e Consolações’) de O Livro dos Espíritos, daí haver seu autor, abaixo do título O Céu e o Inferno, aposto o subtítulo A Justiça Divina Segundo o Espiritismo.
A proposta do livro é o entendimento de como funcionam as sábias e justas leis divinas, destacando-lhes o sempre presente, mas geralmente despercebido aspecto misericordioso.
Lembra a cada um de nós o que seria a recomendação do Mestre Jesus no ‘a cada um segundo as suas obras’, ou ‘seja bom e será feliz’. Vê-se que a felicidade efetiva não é um favor divino, mas uma pré-conduta benevolente.
Profundamente filosófico, responde as mais instigantes indagações da nossa alma: de onde vim? Por que vim? Por que estou aqui? Para onde vou?
Consentâneo com as posições da Ciência, mostra-nos a impossibilidade da existência de ‘céu’ e ‘inferno’ circunscritos, posto que não são lugares fixos no espaço e, sim, estados de alma.
Enfatiza a reencarnação como a grande manifestação da misericórdia divina, em forma de renovadas oportunidades de redimirmo-nos das nossas atitudes infelizes do passado, ajustando-nos com a nossa própria consciência, onde está inscrita a Lei de Deus.
É obra completa na sua feição de justiça, envolvendo espíritos e todas as consequências de suas condutas enquanto encarnados, como se fora um auto processual. Nela está a narração dos fatos, o depoimento das testemunhas, a sentença e a punição executada pela própria consciência do culpado.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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