Que Franca está à mercê de uma série de problemas nos últimos dois anos pelo menos, ninguém pode negar. Não apenas no sistema público de saúde e na educação básica, com falta de vagas em creches e pré-escolas, mas também se estendendo a outros setores da administração do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que não faz frente às demandas do município. As sucessivas investigações que chegam até ao sobrepreço de obras irritam sobremaneira os francanos, cansados de acompanhar a imobilidade do prefeito diante dos problemas que afetam os munícipes. A cidade enfrenta uma greve de servidores por causa de uma atitude unilateral do Poder Executivo, com a anuência do Legislativo. A paralisação arrasta-se por mais de um mês e prejudica ainda mais a população, que se ressentia de melhor atendimento em saúde e educação, além de conviver com problemas cotidianos que já deveriam ter sido resolvidos.
Um destes problemas reside no trânsito do perímetro urbano da cidade. A falta de planejamento, ao longo dos anos, criou uma série de gargalos, principalmente no centro da cidade, que causa transtornos, pequenos acidentes e prejuízos aos donos de veículos. Tudo isso se agrava com um grande de contingente de condutores (de caminhões, ônibus, carros e motocicletas) despreparados, que se portam como selvagens em nossas ruas e avenidas, colocando em risco a própria vida e a de terceiros. Ainda é comum, mesmo que as leis punam com relativo rigor os infratores, encontrar motoristas e motociclistas transitando embriagados. O noticiário do Comércio é pródigo em notícias deste tipo, com algumas vítimas fatais, o que denota a irresponsabilidade de alguns.
Mesmo diante disso, a Prefeitura não pode se eximir de culpa no caso do trânsito caótico que mudou o panorama da cidade. Falta um profissional capacitado, no caso um engenheiro de trânsito, para buscar a solução para esta situação que tira o sono de muitos francanos. Nos últimos tempos, as soluções encontradas pela Divisão de Trânsito mostraram-se inócuas para resolver o congestionamento nas ruas do centro (redução das vagas de estacionamento) ou em vias mais afastadas (criação de rotatórias e instalação de semáforos em pontos movimentados). Um exemplo disso é o cruzamento da rua Brasília com avenida Adhemar de Barros, palco de vários acidentes (só nesta semana foram quatro) e que tem sido uma preocupação constante dos que transitam na região do jardim Brasilândia e adjacências.
É necessário um estudo sério, realizado por um engenheiro especialista em trânsito, para que se encontrem soluções que deixem as ruas de Franca menos perigosas para condutores e pedestres. A conscientização dos que têm habilitação para dirigir é importante, mas enquanto o tráfego em nossas ruas e avenidas não receber intervenção responsável, longe dos “achismos” recentes, dificilmente teremos tranquilidade para transitar pelas vias urbanas do município. Não deveríamos mais aceitar experiências esdrúxulas ou tentativas de acerto e erro. A vida e a propriedade dos francanos devem ser colocadas na pauta das prioridades daqueles que são responsáveis pela engenharia do trânsito em nossa cidade.
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