A história contada pelo operador de máquinas WIV, 20, de que teria sido vítima de tentativa de homicídio, na tarde do último dia 8 de abril, não passou de uma farsa. O rapaz mentiu para a polícia. Na verdade, ele foi ferido na perna por um disparo acidental efetuado por um colega. “A vítima e mais três comparsas estavam em um conjunto habitacional na Vila Gosuen combinando roubos a serem executados, onde, por descuido, um dos integrantes do grupo disparou a arma de fogo que seria usada nos crimes”, revelou o delegado Leopoldo Gomes Novais, titular do 3º Distrito Policial.
O operador de máquinas, na ocasião, foi socorrido e atendido no Pronto Socorro Municipal Doutor Álvaro Azzuz. Ele estava ferido com um tiro próximo ao quadril da perna esquerda. No dia, ele declarou que saiu da casa da avó e caminhava pela avenida Doutor Willian Azzuz, quando o piloto de uma moto se aproximou, o chamou pelo nome e efetuou um disparo. O próprio alvejado disse que ligou para a Polícia Militar comunicando o crime. Medicado no PS, ele foi liberado.
Denúncias anônimas
Os agentes do setor de investigação do 3º DP receberam denúncias anônimas sobre o caso. “Os denunciantes contaram que toda a versão apresentada pela vítima do tiro não passava de uma fraude”, disse Novais. As informações eram de que o rapaz ferido e três outros jovens estavam reunidos na Vila Gosuen e, por descuido do sapateiro desempregado KGMW, 20, a arma que seria usada nos assaltos disparou acidentalmente.
Diante das denúncias, o delegado Novais solicitou e a Justiça emitiu mandado de busca e apreensão na residência do desempregado, que ainda estaria de posse da arma. O cumprimento da ordem judicial ocorreu na quarta-feira. Cinco policiais, entre investigadores e um escrivão do DP, com apoio de policiais militares da Força Tática, foram ao conjunto habitacional, onde localizaram e detiveram três dos quatro integrantes do bando que estava junto quando ocorreu o disparo.
No apartamento do rapaz apontado como autor do tiro acidental, os policiais localizaram a arma usada (calibre 22), uma arma de pressão que dispara chumbo e é semelhante a uma pistola “ponto” 40, e uma porção de maconha. “O acusado foi preso em flagrante pelo crime de posse irregular de arma de fogo e recolhido ao CDP por não honrar a fiança estipulada em R$ 3,1 mil”, acrescentou o delegado do caso.
Confissão
O desempregado preso pelo porte ilegal de arma, em depoimento no DP, confessou que atingiu o colega de forma acidental. Ele declarou que ligou ao 190 pedindo socorro e fugiu antes da chegada dos policiais. “A vítima quis evitar a localização da arma”, segundo Novais.
Um segundo inquérito policial foi instaurado para apurar a conduta de KGMW, que manipulava a arma e já possui condenação por tráfico, e WIV, o ferido, por falsa comunicação de crime. O delegado Novais disse que vai apurar se eles estão envolvidos com o tráfico, furtos e roubos. “Vítimas serão convocadas para realização dos reconhecimentos fotográficos e pessoais. Qualquer informação é só ligar 3722-2520. Ninguém precisa se identificar”, finalizou.
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