Parece que a convicção da imortalidade da alma só é realmente robustecida quando nascem os nossos netos. Na semana passada, confesso, vivi uma das mais fortes emoções da minha vida, quando, meio atordoado, cheguei ao Hospital Regional e me deparei com uma criaturinha de pouco mais de três quilos e quarenta e nove centímetros, mas de personalidade marcante que ‘chegou chegando’ pelas mãos competentes do Dr. Mantovani.
A vontade era de pedir que ‘rufassem os tambores’! Nasceu Benício, o meu neto(!) filho da Rafa e do Yuri! Lá estava a garantia maior de que minha passagem por este planeta não foi em vão e que minha vida terá sequência, mesmo após a minha derradeira viagem!
Sempre ouvi, desconfiado, as pessoas dizerem: ‘ser avô é ser pai duas vezes’, ou ‘ser avô é mais prazeroso do que ser pai’. Reconheço hoje que esses ditados são verdades irrefutáveis. Sim, ser avô é muito saboroso! Talvez essas máximas cunhadas pela sabedoria popular sejam decorrências do fato de que, geralmente, quando nos tornamos pais, estamos em um momento de decolagem em nossa vida, tanto no plano pessoal quanto profissional.
Quando do nascimento dos filhos acabamos dividindo nossas atenções com outras prioridades, algumas até questionáveis e secundárias. É diferente quanto nos tornamos avô. Nesta fase da vida já estamos, há algum tempo, no ‘piloto automático’, fase madura da vida na qual nossos projetos passam a ser outros, bem mais espirituais e bem menos materiais.
Confesso que ao ver Benício no colo da minha esposa, me senti dono do mundo! Tive certeza que velhice tem seus encantos. Aliás, como bem lapidou Rachel de Queiroz: ‘A avó não tem direitos legais, não tem a menor pretensão pedagógica, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto’.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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