Um poço sem fundo


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Na mesma semana em que o governo federal recebeu uma série de números negativos da economia, e no mesmo dia em que o ministro Joaquim levy (Fazenda) tentava sensibilizar o Congresso Nacional para votar e aprovar as medidas de ajuste fiscal — consideradas pelo Planalto imprescindíveis para recuperar a atividade econômica —, o FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou ontem que o Brasil pode ter em 2015 a pior desaceleração da economia em mais de duas décadas. Além disso, o organismo voltou a recomendar que, mesmo com a atividade enfraquecida, a presidente Dilma Rousseff siga em frente com o ajuste fiscal e monetário, de acordo com um relatório divulgado ontem.
 
Os números do mercado de trabalho apontaram um aumento do desemprego nas regiões metropolitanas, os quais podem piorar ainda mais com o levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que afere o índice em todo o País. Embora o ministro Manoel Dias (Trabalho) creia numa recuperação ainda neste ano, analistas são unânimes em afirmar que, com a deterioração da atividade econômica, o mercado de trabalho ainda continuará fechando postos no mesmo ritmo verificado nos últimos meses. Não há nem a garantia de que o ajuste fiscal será suficiente para que o Brasil volte a apresentar algum crescimento, pelo menos em curto prazo. Mesmo com as medidas já tomadas desde dezembro, ontem as contas públicas voltaram a apresentar números negativos, o que não era esperado pela equipe econômica do governo.
 
De acordo com o relatório do FMI, “o Brasil está passando por sua desaceleração mais grave em mais de duas décadas, mas terá de perseverar com os recentes esforços para conter o aumento da dívida pública e repor a confiança no quadro da política macroeconômica.” A previsão dos economistas do FMI é de que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil vai encolher 1% em 2015, um dos piores desempenhos entre as principais economias mundiais. Para 2016, a expectativa é de uma recuperação moderada, com o PIB crescendo 1%.
 
O aperto na política fiscal que vem sendo conduzido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ajuda a enfraquecer a atividade no curto prazo. Junte-se a isso a desconfiança dos investidores na capacidade do País de recuperar a sua economia, por causa do recente escândalo da Petrobras, e a incapacidade dos entes públicos em assumir parte do ônus da deterioração, cortando na própria carne. Enquanto não se fizer um ajuste que exija o sacrifício de todos e não apenas dos contribuintes, dificilmente o Brasil deixará esta condição difícil, causada principalmente por causa do comando frouxo e inadequado da política econômica no final do governo Lula e no primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT). Ainda estaremos à mercê de períodos difíceis que ainda se arrastarão pelos próximos meses, sem que se vislumbre uma nesga sequer da luz no final do túnel no qual caminhamos ultimamente.
 
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