Luciene Martins assume Restinga e se apavora: 'Estado de calamidade'


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A prefeita de Restinga, Luciene Martins, na praça central da cidade. Ela foi empossada na última sexta-feira pela Câmara
A prefeita de Restinga, Luciene Martins, na praça central da cidade. Ela foi empossada na última sexta-feira pela Câmara
“A Prefeitura está em estado de calamidade.” Essa frase resume a situação financeira e de condições de trabalho em que a nova prefeita de Restinga, Luciene Martins Faria Fernandes (PRB), encontrou a administração um dia após retornar ao cargo.
 
Afastada da função desde setembro de 2013, Luciene conseguiu no Tribunal de Justiça de São Paulo provar sua inocência das acusações de irregularidades e conquistou o direito de assumir novamente a cadeira de prefeita. Antes, ela que exercia o cargo de vice, havia sido cassada junto com o então prefeito Paulo Pitt (DEM), oito meses após assumir a Prefeitura, por suposta manutenção de funcionários fantasmas e desvio de dinheiro do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica). Com apoio da Câmara Municipal e de posse de um mandato de segurança, ela foi empossada como nova chefe do Executivo na última sexta-feira, 24.
 
Nessa terça-feira, a prefeita recebeu o Comércio em seu gabinete, tomando conhecimento da real situação do município, que desde janeiro de 2013 sofreu oito mudanças de governo. Sentada junto a uma mesa simples de madeira, apenas com alguns papéis e sem computador, Luciene disse calcular ter uma dívida de mais de R$ 3,5 milhões referentes ao INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), energia elétrica, telefone, medicamentos e outros fornecedores.
 
“Só com o INSS, a dívida ultrapassa R$ 1 milhão e está travando todo o andamento da Prefeitura, nos impedindo de realizar convênios e receber recursos. Tem ainda a questão da saúde, que precisa ser colocada em ordem. Hoje, estamos sem medicamentos, com os telefones cortados, o pedágio suspenso e a energia também perto de ser desligada”, revelou Luciene.
 
Para a prefeita, todo esse imbróglio é resultado das constantes mudanças de comando na Prefeitura. Segundo ela, houve também internamente muita troca de funcionários, desvio de funções e “preocupações diferentes” dos administradores.
 
Em contato com os servidores, a prefeita descobriu ainda que o município não tem realizado licitações, possui uma folha de pagamento de R$ 806 mil destinada a 331 funcionários e apenas R$ 12 mil em conta. “Precisamos cortar horas extras, plantões e ver uma forma de enxugar a folha de pagamento. Também precisamos realizar diversas licitações, dar seguimento em obras e limpar a cidade. Espero até o fim do ano, colocar tudo em ordem”, disse.
 
Segundo ela, que ainda está se familiarizando com a vida política, o desejo de voltar ao cargo se deve ao amor pela cidade e ao povo. “Me preocupo com os problemas de Restinga, pois participo da vida da cidade. Além disso, quis voltar para provar minha inocência. Sofri acusações e passei por um momento difícil que me balançou psicologicamente”, revelou.
 
Entre os planos para o futuro, a prefeita de Restinga pretende de imediato organizar o setor de saúde e tem o sonho de conseguir asfaltar o bairro Alto da Boa Vista. “Minha irmã mora lá e sei de perto das dificuldades dos moradores com o barro e a poeira.”

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