Dados de março último, divulgados pelo SPC-Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito e CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), dão conta que 37,5% da população (54,7 milhões de pessoas) estavam negativadas com o nome inscrito no SPC. Naquele mês houve aumento de 3,76% de consumidores inadimplentes na comparação do mesmo período de 2014. Esta sombria realidade, mesmo em tempos de crise, requer intensa divulgação e disseminação da EF (Educação Financeira), que busca dotar cidadãos e famílias das condições para desfrutar da vida com qualidade e sustentabilidade e evitar descontrole financeiro e inadimplência.
A EF procura dotar as pessoas de capacidade para entender, gerenciar e tomar decisões corretas, condizentes e articuladas com o orçamento de cada uma delas. Trata-se de conjunto de conceitos, práticas, habilidades e competências que as pessoas precisam conhecer e dominar para (bem) gerir as finanças domésticas, relacionando-se com o dinheiro de maneira adequada na busca do equilíbrio na gestão dos recursos familiares.
O consumo deve ser consciente e responsável, jamais por impulso. A compra consciente é pensada, refletida, ponderada com relação às possibilidades do consumidor. Adquirir um bem inopinadamente, sem levar em conta reais necessidades e disponibilidade efetiva de recursos é porta aberta para descontrole, até insolvência.
O planejamento financeiro é também ferramenta estratégica na gestão das finanças domésticas. Ao adotá-lo, o cidadão estabelece objetivos e metas ao longo do tempo, elabora e gerencia o orçamento familiar. Desenvolve a formação de hábitos saudáveis para o uso do dinheiro, consumo, poupança, utilização do crédito, realização de investimentos, gastos futuros e planos de aposentadoria. Com isso, a EF poderá contribuir para tornar menos negativo o panorama visto no inicio.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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