Dediquei-me, esta semana, a curso de análise sobre a Copa do Mundo e a Olimpíada e seus reflexos para países sedes.
Os cenários o Brasil, pela Copa de 2014 e Olimpíada que sedará ano que vem; e os Estados Unidos, como possível cidade sede para a Copa de 2016.
O curso se aprofundou na compreensão de estratégias utilizadas pelo Brasil para conter manifestações contrárias ao evento mundial. Foram várias, todas por demais conhecidas, especialmente as de concepção política.
De repente, duas fotos me chamaram a atenção. Numa, o Brasil era retratado por favela carioca. Noutra, os EUA pela cidade de Boston e seus imponentes prédios.
Lembrei-me dos anos em que trabalhei com desenvolvimento de amostras de calçados para exportação.
Éramos vistos como país subdesenvolvido, sem cultura, sem saúde, sem educação. Passaram-se vinte anos e, percebi, nada mudou.
O Rio, de fato, tem favelas, mas têm também belas praias, o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, seu povo. Por que a foto não mostrava nada disso?
Tem que mudar, e a forma correta para que isso aconteça é cuidar da retórica, dos discursos, para produzir um éthos de país sério de imenso potencial energético, humano, científico, natural e patrimonial.
E mais, somos um país miscigenado cultural e racialmente falando, mas também isso é riqueza nossa.
Continuo refletindo, desde que vi aquelas fotos. Coloquei-me, enquanto escrevia, a pensar se nossa imagem não deveria ser mesmo aquela.
Afinal, há professores em greve, a corrupção assola, há brasileiros sem condições mínimas de sobrevivência, a saúde pública continua um caos. Aristóteles tinha razão ao afirmar, em Retórica que o éthos está ligado ao caráter, à ética, à moral do orador.
A conclusão não é simples e nem fácil de ser aceita: ainda vamos precisar de muita retórica para nos aperfeiçoar e mudar o éthos do Brasil perante o mundo. Ao que parece, e isso salta à vista, esse não é o desejo de muitos, e pelos mais diferentes motivos.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.