Franca ainda paralisada


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Há um mês sem qualquer avanço, a greve dos servidores municipais produz, desde seu início, resultados desastrosos que só prejudicam grande parte da população de Franca, que depende de serviços públicos essenciais, principalmente nos setores de saúde e educação. O movimento reivindicatório está longe de ser resolvido, principalmente diante da intransigência do governo municipal que não busca uma conciliação, preferindo deixar a definição nas mãos da Justiça do Trabalho. Para evitar maiores prejuízos, principalmente aos que mais necessitam, alguém precisa ceder. E, de acordo com o que acompanhamos durante todo o período, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) precisa abandonar a sua postura atual e abrir um canal de negociação com o sindicato dos servidores.
 
Ficar esperando que terceiros decidam algo que já deveria estar solucionado não é uma atitude inerente ao administrador público. Ele deve, antes de tudo, evitar maiores transtornos àqueles que lhe concederam o mandato e que, efetivamente, pagam os seus salários. E deve atender aos seus patrões, que hoje veem uma cidade paralisada, sem atendimento médico minimamente satisfatório ou professores dentro das salas de aula. Ao lavar as mãos e bater o pé, evitando criar condições para um acordo, o prefeito mostra muito bem o que pensa a respeito de seu posto. Ele age tal qual um autocrata que não se importa com as dificuldades daqueles que, em tese, deveria liderar, inspirar, defender e proteger. Ao permitir o alongamento da paralisação, Alexandre Ferreira deixa claro o despreparo para decidir os destinos do município.
 
O projeto do Executivo aprovado pela Câmara em regime de urgência, e que fixou a correção sem que as conversas entre as partes tivessem sido encerradas, revoltou a categoria e foi o estopim para a paralisação. Enquanto o impasse permanece, a população sofre com a falta de atendimento nos serviços públicos. Aulas paradas, pronto-socorro lotado, crianças sem vacina e consultas médicas sem previsão de agendamento transformam o panorama francano e deixam a cidade à mercê da intransigência da administração municipal, que não aceita sentar, conversar e buscar uma solução. Já caiu por terra a justificativa para não conceder o reajuste do vale alimentação reivindicado pelos servidores. Se há dinheiro para pagar o sobrepreço em obras, como no esquema das creches apurado pelo Ministério Público, também deve dinheiro para aumentar o valor do benefício.
 
A falta de traquejo político ainda pode trazer muitos aborrecimentos a Alexandre Ferreira, inclusive na esfera judicial. Ele precisa entender que não cabe ao administrador público tomar decisões que prejudiquem quem trabalha, produz e paga impostos no município e não pode tratar a coisa pública como ente privado. A Prefeitura não é propriedade dele e a própria definição do mandato (autorização, dada pelo voto, para alguém agir em função de outros, por um período determinado) deixa isso claro. Então, é hora de o prefeito assumir de vez a sua condição e buscar resolver um impasse que só está prejudicando a população que depende dos serviços públicos e não vem sendo atendida da forma como merece.
 
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