Em 16 meses, Franca registra 191 batidas em postes


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Em 27 de março, mulher perdeu o controle da Hilux que conduzia, atingiu um poste e causou a queda de outros dois, no Amazonas
Em 27 de março, mulher perdeu o controle da Hilux que conduzia, atingiu um poste e causou a queda de outros dois, no Amazonas
No meio do caminho tinha um poste, tinha um poste no meio do caminho. Eles ficam sobre as calçadas ou canteiros de avenidas, mas é como se ficassem bem no centro das ruas e avenidas, tamanha a atração que exercem sobre os motoristas de Franca. Difícil passar uma semana sem que um carro ou moto exploda nas colunas de concreto que apoiam a rede de distribuição e transmissão de energia elétrica na cidade. O número de ocorrências do tipo é impressionante.
 
Dados obtidos pelo Comércio junto à CPFL revelam que foram registradas 160 interrupções no fornecimento de energia elétrica em Franca, em 2014, devido a colisão de veículo contra um poste do sistema elétrico da empresa. Nesta conta, entram os casos em que os pilares foram derrubados, danificados ou que sofreram apenas “lesões”. Este ano, já foram pelo menos 31 ocorrências da mesma causa. 
 
O caso mais recente aconteceu na madrugada de sábado, 25, quando um carro não identificado detonou o poste existente na rotatória das avenidas Brasil e Adhemar de Barros e ainda derrubou um coqueiro. No dia 27 de março, uma mulher de 22 anos, a bordo de uma Hilux, bateu em um poste e derrubou outros dois diante do Atacadão. O acidente aconteceu por volta das 2 horas. Parte do bairro ficou sem energia e um grande congestionamento se formou.
 
A substituição de um poste custa entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil, dependendo dos valores de equipamentos instalados. Uma estrutura com iluminação pública simples tem menor valor que uma que possua um transformador de energia. Quando ocorre um acidente, os custos dos danos causados ao patrimônio da CPFL, como equipamentos e postes danificados, recaem sobre o culpado legal, quando identificado. Caso o pagamento não seja feito, a empresa busca os meio legais para assegurar que o dano seja ressarcido. 
 
A CPFL informou que, além dos danos materiais, uma colisão contra um poste pode ocasionar consequências graves como risco de contato com a rede elétrica de alta voltagem e interrupções no fornecimento de energia na região, até que as equipes técnicas da empresa tenham ciência da ocorrência e executem os reparos necessários. 
 
Em 2013, num intervalo de apenas três meses, duas pessoas morreram em Franca vítimas de acidentes envolvendo postes. Em maio, o sapateiro Pedro Henrique Morato Cardoso, 18, ocupava a garupa de uma Honda CBX Twister preta que bateu contra um poste no início da avenida Alonso y Alonso próximo ao posto Galo Branco. Ele sofreu múltiplas fraturas e morreu uma semana depois. Outro acidente, em agosto, na avenida Wilson Sábio de Mello, no Distrito Industrial, tirou a vida de uma criança de apenas 4 anos. A vítima foi arremessada do banco de trás contra o para-brisa do veículo. 
 
As causas
A maior parte dos acidentes acontece nos finais de semana e durante a noite ou madrugada. Jovens são as vítimas mais frequentes. Na opinião do arquiteto Alexandre Chioca Rinaldi, especialista em trânsito, o comportamento dos condutores de carros e motos tem relação direta com as ocorrências. “Infelizmente, o crescimento da frota de veículos não vem acompanhado da melhora dos motoristas. O trânsito quem faz é o motorista. Se você tem motorista ruim, o trânsito será ruim. É diretamente proporcional”, afirmou.
 
Falta de habilidade e de atenção, excesso de velocidade e abuso de álcool são fatores que ajudam a explicar por que quase 200 pessoas bateram em postes nos últimos 16 meses. “O acidente é uma conjunção de fatores. O motorista não tem educação de cidadania para o trânsito desde pequeno, é mal instruído na autoescola e dirige mal. É preciso melhorar a qualidade dos motoristas e ampliar a fiscalização”, concluiu o especialista.
 
Gustavo Alvarenga Fonseca é professor de direção defensiva do Centro de Formação de Condutores Ipiranga. Ele diz que o tema acidentes contra objetos fixos faz parte das disciplinas aplicadas aos novos motoristas nas salas de aula. O profissional é direto ao explicar o elevado número de ocorrências envolvendo postes. “O que determina este tipo de acidente é a velocidade exclusivamente, a perda de controle por conta da velocidade excessiva. Se o condutor não estiver correndo, não há este tipo de problema. Se houver, o impacto será infinitamente menor.”
 
 

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